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O uso da Bíblia na catequese.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Fico feliz ao ver o nosso povo demonstrar seu enorme apreço pelas Sagradas Escrituras. Isso fica evidente quando, durante as celebrações, os membros da comunidade se põem de pé, para ouvir as leituras evangélicas.

Denotam-se extremos de atenção e de esforço, para não perder uma só palavra. “Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Fica evidente a grande fé que o povo católico deposita no Cristo, que se comunica com o seu povo.

Outro momento precioso para assimilação do ensinamento divino, é nos Grupos de Reflexão, quando se reúnem nas casas. Temos perto de mil desses grupos, que se reúnem semanalmente, aqui na nossa arquidiocese de Uberaba. O respeito pelas sagradas letras é o ponto alto da reunião. Chega mesmo a ser uma catequese entre adultos, a partir da Palavra.

A estima e a atenção pelo Deus que se comunica, se manifesta também na caminhada catequética das novas gerações (crianças e jovens), que visam aproximar-se da Eucaristia e do sacramento da Crisma.

Segundo o “Diretório Nacional de Catequese”,  a Bíblia é o livro de catequese por excelência ( Nº 107).  É ainda o mesmo Diretório que garante que a “catequese há de haurir sempre o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, confiada à Igreja” (Nº 106).

Assim a Esposa de Cristo “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13, 52). Dentro da Tradição, a Bíblia ocupa um lugar especial: nela a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina.   

Mas usando as Escrituras, a Catequese precisa evitar dois recifes, que podem fazer afundar todos os belos propósitos de aprendizado da fé.  O primeiro é a possibilidade de reduzir o “depósito da fé”, a uma leitura apenas parcial das páginas bíblicas.

Seria fazer memória de alguns trechos, e cair na amnésia de todos os demais. Infelizmente ainda não temos textos catequéticos resumidos de doutrina, após a publicação do “Catecismo da Igreja Católica”.

Esses manuais ajudariam a chamar a atenção para uma vivência plena dos ensinamentos divinos. O outro grande perigo é querer fazer belas descobertas, dentro do horizonte acanhado do grupo, e só se interessar pelo “nós”.

Neste caso esquece-se a Igreja, a quem Jesus confiou toda a Revelação, e cuja interpretação garante a reta compreensão. Portanto, não se pode esquecer o que a Igreja entendeu durante vinte séculos, e aquilo que ela, num amor de mãe, definiu para nos orientar.



 
 
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