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Vazio ético.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Vivemos tempos em que a superioridade da raça humana parece entrar em parafuso. Diante de fatos, que apresentam uma tônica de comportamento ensandecido, os nossos conceitos otimistas sobre o “homo erectus” tomam aspectos de delírios. Sem chance para a esperança de tempos melhores. Seus autores são aloprados, diria o nosso Presidente.

Refiro-me a certos crimes,
praticados com extrema ousadia, e calculada crueldade. Atônitos ouvimos falar de assaltantes que, não contentes com o fruto de seus roubos, ainda queimam vivas as suas vítimas.

Ou ainda, não conseguimos entender a mente de seres humanos, quando roubam e assaltam os passageiros de um ônibus, para em seguida atear fogo no veículo, e carbonizar inocentes cidadãos.

Não dá para entender. E esse quadro está muito longe de interromper sua curva ascendente. Dias piores poderão nos aguardar. Também, o que pode esperar uma sociedade que, com ares de modernidade, sustenta que inermes seres humanos - sendo gestados no seio acolhedor de uma mulher -  podem ser sacrificados em favor de interesses menores, interrompendo a gravidez? Poderá, porventura aguardar “cavalheirismo” por parte de bandidos?

Diante desses fatos, cada vez mais alarmantes, aonde vamos buscar as causas de tão nefasto comportamento? Não tenho receio em apontar duas grandes razões, que nos levam a descobrir a fonte desse veneno mortal. A primeira, é a educação deficiente na família.

Os pais não estariam por demais ausentes do lar? Os filhos não são entregues à TV, às más companhias da rua? E a ausência dos varões na educação dos filhos, não é a causadora de tendências criminosas, latentes no coração humano? A ausência do pai leva o filho a querer crescer sem lei.

A segunda causa, no meu entender, é a falta de senso religioso. Vivemos numa sociedade, com tendências secularizantes. Muitos “Pretedendo ser sábios, tornaram-se tolos” (Rom 1, 22).

A começar pelos nossos governantes, de âmbito federal. A maioria deles são agnósticos, sem nenhuma sensibilidade religiosa. Ou você já ouviu os grandes políticos de hoje falar em Deus? Por acaso já viu algum deles rezando?

É o conhecido psicanalista Carl Jung que nos adverte: “A raiz da enfermidade de todos, seu problema definitivo, está em terem perdido o que a religião deu a seus crentes, em todos os tempos; ninguém estará definitivamente curado, enquanto não tiver atingido, de novo, seu enfoque religioso” (Psychologie des Gottes Glaubens).



 
 
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