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Purificando a fé.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A nossa confiança em Cristo nos leva a escalonar a  fé. Há assuntos que foram estabelecidos por Jesus, e esclarecidos pela Igreja, que são imperativos absolutos. Por exemplo, devemos crer na vida eterna, e na obra salvadora do nosso Redentor. “Por meio Dele todo aquele que nele crê é justificado” (At 13, 39).

Existem, além disso, explicações teológicas de artigos da fé, onde nos mostramos sábios quando as aceitamos, sem aquela obrigação categórica. Por exemplo, a explicação da maneira pela qual Cristo está presente na Eucaristia (transubstanciação).

O modo da presença representa um esforço da razão para compreender esse assunto. Mas acresce a esse acervo todo, um vasto campo de liberdade de opinião, em que não preciso acreditar. E nem por isso deixo de ser bom católico. Posso ter a minha própria opinião.

Por exemplo, a Igreja nunca vai obrigar nenhum fiel a crer em aparições, ou na justeza das cruzadas. Não seria prudente, nesse  leque de possibilidades, tomar atitudes radicais de sempre ser do contra. Mas devemos ‘provar de tudo e ficar com o que é bom” (1 Tes 5, 21).

Raciocínio semelhante devemos usar para milagres.O justo vive pela fé”  (Rom 1, 17). Não devemos buscar o prodigioso, nem o excepcional. A nossa vida deve decorrer no ambiente normal da vida: vencer pelo trabalho e pela inteligência, manter a saúde com hábitos de vida sadios, usar remédios (quando necessários), lançar mão de profissionais para manter boa saúde.

Se Deus for servido em nos conceder graças excepcionais e até milagres, então a Ele a “glória eternamente”  (Rom 11, 36). Mas nesses casos devemos ser cristãos que usam o raciocínio.

Caso formos curados de alguma doença, primeiro vamos procurar explicações naturais. Fomos curados porque os remédios “foram muito eficazes” , “os médicos foram  competentes”, “a minha natureza é  forte”. Se isso não explicar o que aconteceu, então podemos dizer que foi milagre. Mas em qualquer das circunstâncias sempre foi bondade divina. “Deus é rico em misericórdia” (Ef 2, 4).

Agora, cautela ! Nunca ninguém deve imaginar  que “os bispos forjam milagres” quando se trata de conseguir a beatificação de uma pessoa santa. Se a Congregação para as Causas dos Santos aceita como verídico um milagre atribuído à intercessão, por exemplo, de Nhá Chica de Baependi, não é prudente duvidar. Isso passou pelo crivo de uma Comissão de médicos e de cientistas, que examinaram tudo com cuidado.



 
 
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