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Amizades perenes.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Tendo tido, como arcebispo, graves dificuldades com dois Agentes de Pastoral - cujas mazelas se tornaram públicas - tive uma experiência ao mesmo tempo rica e frustrante da amizade. Se a caridade cristã nos procura levar a um amor para com todas as pessoas, as amizades, contudo,  são de nossa  livre escolha.

Somos amigos das pessoas que se afinam conosco, e permitem uma comunicação das nossas preferências e até mesmo uma convergência nos assuntos espirituais. Neste sentido o Pai Celeste, e o próprio Cristo são nossos grandes amigos.

Com Eles não temos problemas. Eles estão do nosso lado. É mesmo uma amizade essencial. Com várias pessoas, Jesus teve sólidas amizades, e que lhe foram fiéis até o fim. Entre elas cito algumas: Lázaro, Marta e Maria, João evangelista e Madalena. “Madalena foi encontrar o discípulo que Jesus amava” (Jo 20, 2). Com certeza havia entre eles troca de profundezas da alma, e uma simbiose para com as coisas divinas. Até nisso o nosso divino Mestre se mostrou sumamente humano.

No meu caso, quando as más notícias explodiram contra os Agentes Pastorais, tive duas reações contrastantes. De um lado, os amigos e amigas de verdade, que se solidarizaram comigo, (por telefonemas, cartas, e-mails e conversas pessoais), expressando sua tristeza pelos fatos acontecidos.

Do outro lado, a decepção com os atiradores de pedras, que me acusaram de ter sido o causador, ou pelo menos o responsável, pelos infaustos comportamentos. Em vez de darem umas “guascadas” corretivas nos infratores, acharam mais fácil abrir artilharia contra mim. Isso é como encerrar uma amizade, que de resto se evidenciou não ser sólida.

Uma amizade, para ser verdadeira, precisa ser duradoura, e sem vínculo com  quem não aprecia a verdade e a justiça. “Pode, porventura, haver amizade entre a justiça e a iniqüidade?” (2 Cor 6, 14). Ademais, uma amizade cristã deve ter, como liame de união, o próprio Deus.

Posso até parafrasear o Apóstolo: “Temos esse tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4, 7). Todos precisamos de verdadeiros amigos e amigas, que tenham capacidade de “apanhar” junto conosco.



 
 
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