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Fecundidade ilimitada.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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este dia 02 de dezembro fui instrumento do Espírito, ao conferir o Diaconato a três  dos nossos jovens seminaristas. Quero partilhar com os amigos um pormenor dessa graça, que Cristo confere à sua Igreja, pelo primeiro grau do sacramento da Ordem. Refiro-me a um aspecto que não goza de grande popularidade nestes tempos freudianos.

O assunto causa até um certo frisson, pela ousadia da abordagem. Refiro-me à promessa do celibato, assumido pelos três jovens, depois de buscar uma plena consciência.

Essa promessa, em palavras claras, abre mão do direito de constituir família, de ter esposa e filhos. “Quem tiver deixado casa, mulher, pais, irmãos e filhos, por causa do Reino dos céus, não ficará sem receber muito mais nesta vida, e na outra a vida eterna” (Lc 18, 29).

Trata-se de uma proposta que Jesus não faz a todos. Mas é uma riqueza para  a Igreja. Isso nada tira da beleza de uma família. É apenas uma graça diferente.

Esse carisma, de dedicar a vida  plenamente em favor do povo de Deus, sem constituir família, vem de Jesus. Ele é que estimulou, e por isso deve ser encarado com seriedade.

Tal carisma, quanto eu saiba, Jesus só concedeu à Igreja Católica. Com essa afirmação não menosprezo as outras comunidades cristãs. Mas louvo a Deus por nos ter dado essa graça de crer, de maneira realista, na ressurreição dos mortos (a nossa recompensa será depois), e de testemunhar o amor de Deus acima de todas as coisas.

Mas ninguém imagine que o celibato nos deva fazer homens sem sentimentos. Jesus, que era célibe, foi homem dos mais nobres sentimentos humanos. Por isso o coração de quem se consagrou inteiramente a Deus  e ao Povo eleito, é repleto de amor generoso.

Esse amor não se cansa jamais. É mesmo causa de uma fecundidade ímpar, como vemos na vida de tantos santos sacerdotes. Nem se diga que essa graça nos relega a uma solidão humana. Na verdade, a exemplo do nosso Mestre, quem se consagra pelo generoso voto, é unido em santo matrimônio com a Igreja. Sua família é toda a comunidade paroquial.

E cabe-me aqui dizer, num humilde testemunho pessoal, que a maioria absoluta das mulheres e moças das nossas comunidades, sempre me ajudaram na minha opção: elas sempre rezaram por mim, me estimularam, me encorajaram e me apoiaram. As mulheres das comunidades, mais do que ninguém, entenderam  a graça que Cristo quis me conceder.



 
 
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