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O povo da roça pede socorro.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Tenho grande estima pelo habitante da roça, base de nossa brasilidade. Nisso empato com a maioria dos cidadãos de nossa  pátria, cuja alma é marcada por reminiscências   interioranas.

Ninguém de nós esquece as maravilhosas fontes de águas, os milharais, os pássaros alegres, a comida abundante e variada, o mugido das vacas, as chuvas fecundas, os bailes da roça, a missa mensal. “Os céus narram a vossa glória, ó Senhor” (Sl 19, 1).

O ambiente do sertão perpassa a literatura, a vida religiosa, a música e toda a nossa cultura. Mas nas terras de Santa Cruz, por uma série de erros históricos, a nossa reserva cultural foi sendo extinta, ano após ano, sem chance de retorno.

Hoje sobram magros 20% da população que ainda moram no mundo rural. As causas residem na extrema  lentidão do governo em proporcionar escolas, estradas, postos de saúde, energia elétrica e outras condições básicas.

Em segundo lugar, não tenho medo de dizer que a CLT, aplicada impiedosamente aos proprietários rurais, sem uma  adaptação ao ambiente específico, levou o desânimo geral para qualquer iniciativa produtiva.

Atualmente está em andamento um outro golpe fatal contra o progresso das nossas bases econômicas. Já o governo FHC fizera coisa semelhante. Mas o governo atual levou à perfeição a derrota das “elites rurais”.

Comida barata ganha eleições.
(Isso é simpático para todos, menos para os produtores). Por isso o valor do dólar foi reduzido, e como conseqüência os produtos agrícolas não tem preço. Isso é um suicídio nacional.

Não custa você dar uma volta pelos campos e ver as casas sem vidraças, com telhado prestes a cair, o mato tomando conta de pátios e jardins, tratores quebrados... As vacas magras são o retrato da bancarrota.

Os que estão na agricultura familiar, ainda tem algum recurso, por financiamentos através do PRONAF. Mas a classe média rural, os sitiantes, os pequenos fazendeiros estão pela hora da morte.

Nada de admirar quando as  monoculturas assumem iniciativas de grande produção (tudo feito com reta intenção), recebem terras para arrendar, aos montes. Isso salva as dívidas impagáveis dos rurícolas, e lhes dá vida mais tranqüila. Esses produtores do campo precisam ser salvos, para o bem da nação.

Devem ser estimulados a produzir os bens comestíveis, ultrapassando a monocultura da cana ou outras, e...receber subsídios agrícolas do governo, para manter os preços baixos e manter a viabilidade da economia rural. Os países mais ricos já não fazem isso há muito tempo?



 
 
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