Colunas
 
Dificuldades da pastoral carcerária.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
Leia os outros artigos
 

Você já visitou encarcerados numa cadeia pública, ou numa penitenciária?  Viu o confinamento a que são submetidos os apenados? Você certamente pôde verificar que, em celas destinadas a seis pessoas, se encontram dezoito. Que o mau cheiro e a falta de privacidade são constantes.

Também observou que o vaso sanitário é usado em rodízio permanente,  e que o rosto de pessoas em estado de revolta é o “pão de cada dia”. Quase é impossível haver situação pior para um ser humano do que estar atrás das grades. A falta de liberdade é um castigo arrasador de personalidades. “É para a liberdade que Cristo nos redimiu” (Gal 5,1).

Da minha parte, cada vez que retorno de uma visita a esses seres humanos, permaneço em estado de depressão por vários dias. Não consigo me resignar  com a precariedade  da situação. E não estou aqui jogando pedras, nem nos funcionários, nem no poder judiciário. O problema reside no sistema prisional “in totum”. A APPAC, é verdade,  procura ser um caminho de superação dessa infeliz situação.

Manifesto-me aqui favorável à prisão - ou a penas alternativas - para separar pessoas, cujo comportamento é uma agressão à vida social. Mas essa separação não tem caráter de vingança, muitas vezes exigida pela sociedade.

Mas deve ser um tempo de uma nova reflexão de vida, e de educação para o reto convívio social. Para isso é primordial o reconhecimento da culpa, e o respectivo bom propósito do encarcerado. “Pequei, Senhor, misericórdia” (Sl 50,1).

A Pastoral Carcerária procura fazer um serviço de conscientização do prisioneiro. Ela quer ser uma luz para ele, e uma esperança de vencer o mal que está aninhado no seu coração. Mas o caro leitor não queira saber as dificuldades e incompreensões que se abatem sobre nossos agentes.

São pessoas cheias de boa vontade, com imenso desejo de fazer o bem, mas  cercadas de suspeitas por parte de certos funcionários. Em certa ocasião, nesta nossa urbe triangulina, nossos agentes foram impedidos de entrar na prisão, por mais de três meses, “por ordens superiores”.

A não ser que se submetessem a uma humilhante verificação policial. Motivo: estavam entrando drogas nas celas e a suspeita mais fácil provinha da visita semanal da pastoral carcerária. Ao fim dos três meses de “castigo”, como as drogas continuavam entrando, as autoridades, num rasgo de generosidade, reabriram as visitas. Curiosamente os agentes de outras denominações religiosas tem o acesso facilitado para essas mesmas atividades.



 
 
xm732