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Ainda é válido falar em educação sexual?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A grande revolução sexual da década de 1960, pôs de ponta cabeça tudo o que a humanidade dizia - bem ou mal - sobre sexualidade. De repente todos fomos proibidos de proibir qualquer coisa.

A busca do prazer, legítimo em si, entrou em velocidade crescente, sem possibilidade de usar freios que mantivessem uma velocidade de segurança. A vida sexual plena, fora do casamento, foi estimulada sem nenhum entrave. Daí para a juventude concluir que casar, ter uma família aprovada pela sociedade, é totalmente cafona, foi apenas um passo.

O novo jeito é juntar os trapos e ir morar juntos, e permanecer apenas enquanto der tudo certo. Ou então, partir para a gravidez fora da vida familiar. A fidelidade conjugal entre casais estáveis, passou a ser um pio desejo.

O coração não deve ser cerceado nos seus encantamentos amorosos, restando-lhe apenas uma cautela prudencial, para não ser surpreendido pelo ciúme da cara metade.

Caso exista uma inclinação insopitável, provinda de fatores educacionais, que arraste o indivíduo a avaliar pessoas do próprio sexo, como complementares à sua personalidade, por que não se entregar livremente  a esse prazer, embora de cunho incompleto?

A televisão não propugna abertamente o sexo virtual, em plena luz do dia, ensinando maneiras insuspeitadas de satisfazer a libido?

A moralidade encorajada pela Bíblia é mais realista e mais humana. Ela apregoa a beleza do sexo. Mostra que é uma das energias mais fortes e positivas da natureza humana. Mas é um rio caudaloso que precisa ser mantido dentro do seu leito, para não levar destruição à natureza.
        
As Escrituras testemunham a atração irresistível que os dois sexos exercem entre si. “Deus viu que tudo o que fizera era muito bom”(Gen 1,31). Pelos exemplos concretos, apontam que a sexualidade é a energia que motiva o verdadeiro progresso da humanidade.

O sexo, dentro de uma reta ordem, é fator de alegria e de garantia de sobrevivência da espécie humana. Mas será que não precisamos de uma escala de valores, onde haja espaço também para as alegrias do intelecto e do encontro místico com Deus? Tais alegrias tem o cunho de serem mais completas.“Os puros verão a Deus”(Mt 5, 8).

A educação sexual das novas gerações deve passar pelo apreço e encantamento das qualidades do outro sexo. Como também pela disciplina de guardar-se, sexualmente, para a pessoa amada. Isso vale até para quem tem uma vida  de  consagração total a Deus.



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