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O fim justifica os meios?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O filósofo florentino Maquiavel, resumiu numa só obra literária “O Príncipe”, pelos idos do século XVI, todos os recursos imorais, usados pelos inescrupulosos, para obter resultados a seu favor.

Essa obra serviu de inspiração para  os atos anti-éticos, perpetrados por políticoshomens de negócios, e por apaixonados, que não se abalam com nenhum sentimento de compaixão, diante dos gemidos de suas vítimas. Segundo o princípio “maquiavélico”, o que importa é vencer.

Nada interessa examinar se o método usado se reveste de caráter ético, ou até, se é justo. Para conseguir os resultados almejados, qualquer meio utilizado se justifica por si mesmo. É o recurso usado por milhões, destituídos  de escrúpulos.         

Na obra da criação divina existem  criaturas, aos bilhões, que não tem finalidade em si mesmas, mas são relativas aos outros seres. O Criador as quis como meios úteis para terceiros.  Assim, os minerais, a água, se destinam ao uso das plantas e dos animais.

As plantas, por sua vez, se destinam aos animais e ao homem. E os animais se destinam a servir uns aos outros, e ao próprio homem. Pois bem. Esses seres, que não tem finalidades em si próprios, todos podem ser usados como meios. Podem até ser sacrificados.

Eu posso destruir uma árvore, para com sua lenha fabricar móveis. Posso sacrificar animais, para fazer experiências  científicas. O animal se alimenta de plantas, e também de outros animais, para sobreviver.

E o homem pode usar de todos os seres vivos (animais e plantas), para se alimentar. “A vocês (Adão e Eva) entrego tudo, como já lhes havia entregue as plantas” (Gen 9, 3). No caso dos seres que não tem finalidade em si, o fim justifica os meios. Podemos “usar” responsavelmente plantas e animais para nossos fins.

Totalmente diferente é  o ser humano. Este é a única criatura que  Deus quis como finalidade em si. “Quem derrama sangue do homem, terá seu próprio sangue derramado” (Gen 9, 6). Ele não deve ser usado por ninguém, quando o uso supõe sacrifício de sua vida.

Nenhum homem, nem criatura inferior, pode se aproveitar dele, manipulá-lo. Isso porque ele é filho de Deus. Assim, não posso destruir a fama de ninguém, para subir na vida; torturar um preso, para obter confissão de culpa; sacrificar um embrião, para dele extrair células-tronco que curem doenças de adultos; nem tão pouco praticar o aborto.

O ser humano só pode ser usado, quando se respeita a sua dignidade, e não fica sujeito à destruição.



 
 
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