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Critérios do povo nas eleições
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Sempre de novo nos fazemos a pergunta: o povo sabe votar? 

Da minha parte, tendo usado tantas vezes do meu direito de eleger os representantes públicos  da nação, posso dizer que umas tantas vezes optei por nomes,  que empataram com os da maioria.

Mas também inúmeras outras vezes perdi meu voto, por ter divergido da opinião vencedora. Já fui voto vencido na escolha de Presidente, de Governador, de Deputado, de Senador, de Prefeito e de Vereador. Procurei superar a momentânea frustração, sempre buscando entender o porquê das preferências populares.

Confesso que nem sempre entendi, mas acatei as preferências, sabendo que a maioria tem poder de mando. “A autoridade política é necessária e é uma componente positiva da convivência civil” (Catec. da Igreja Católica nº 1897).

Sob pena de solapar os princípios da democracia, devemos aceitar as razões do grupo maior, e trabalhar com as pessoas escolhidas para gerir a coisa pública.  Na sua essência, o povo, intuitivamente, muito mais acerta do que erra.

Mas falando com objetividade, há minorias sociais que ainda não atingiram o nível de conscientização requerida.

A prova está na escolha de representantes  sabidamente corruptos e incompetentes. De tais eleitos nada se pode esperar, a não ser a busca do bem particular, e a desonestidade praticada na calada da noite. As razões de tal fraqueza devem ser procuradas em dois campos.

O primeiro é a deficiente informação. Comparando as nossas atuais leis eleitorais, verificamos que já houve um notável progresso. Lembro-me que na década de cinqüenta, os candidatos endinheirados compravam todos os espaços disponíveis numa Rádio.

Assim os mais modestos não conseguiam nem chegar ao conhecimento da população. Isso já melhorou muito. Parece que as eleições tendem a se tornar cada vez mais civilizadas. O horário eleitoral gratuito teve a intenção de chegar mais perto do povo. Mas isso não passa de uma piedosa intenção, assim como está.
           
A segunda razão de certos fracassos eleitorais é a falta de uma melhor educação.

Um dos grandes frutos da escolaridade é aprender a ter espírito crítico. Este nos liberta das más intenções dos inescrupulosos, da sedução e dos  truques dos enganadores.

Infelizmente, aqueles que procuram cobertura num mandato popular, para se resguardar das cobranças da sociedade e do poder judiciário, muitas vezes obtém o seu desiderato.

Assim continuam, audazes, nas suas veredas,  aparentando integridade. Até quando, meu Deus, vamos ter de agüentar isso?



 
 
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