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O ecumenismo se reveste de esperança
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Quando se estabelece o diálogo entre a Igreja Católica e outras comunidades cristãs, isso prova que acreditamos que esse outro grupo tem alguma coisa boa.  Achamos que vale a pena conversar. Eles se admiram de algumas coisas que nós vivemos, e eles nem tanto.

Como exemplo, veja-se a inteireza de nossa doutrina durante séculos, a unidade que mantemos entre nós, a manutenção da linha apostólica, a beleza de nossa Eucaristia. Mas do nosso lado também constatamos belezas na vida religiosa dos  interlocutores – belezas essas que fazem parte do nosso corpo de doutrina -  sem observá-las na perfeição.

Isso vale, por exemplo, para a seriedade de sua vida familiar, de seu espírito de oração, da observância da castidade entre a juventude, do pagamento do dízimo, e do seu amor às Escrituras.Às vezes realçam melhor certos pontos, que nós esquecemos. Portanto, há o que aprender nessas conversas fraternas. Percebemos que a norma de São João “nem os cumprimenteis” (2 Jo, 10) foi uma norma circunstancial contra aqueles que vinham para impor seus pensamentos, e não para conversar. Portanto, se tratava de atitudes contra proselitistas.

A Comissão Episcopal para o Ecumenismo, da CNBB, programou um importante Curso sobre o Diálogo Ecumênico. Realizar-se-á em janeiro do próximo ano. Trata-se de um verdadeiro treinamento para o Diálogo. Tal prática visa um reavivamento dos verdadeiros princípios ecumênicos do Vaticano II. Pois, no “fragor da luta” há representantes nossos que criam critérios pessoais. Ser fiéis a esses princípios,é uma regra essencial para haver um bom diálogo. Mas vários se tornam entreguistas, ou aderem ao relativismo; outros camuflam as verdades da fé católica; ou cedem à tentação fácil do irenismo. 

O Concílio não abre mão da unicidade da Igreja Católica, nem que ela brotou diretamente da vontade explícita do Salvador. O objetivo do Curso é encorajar para a aproximação.  Temos esperanças de que esse procedimento, acompanhado pela oração, vá produzir bons frutos. Embora creiamos firmes na nossa Igreja - sem abrir mão de convicções -  concordamos com S. Pedro quando diz: “Deus aceita quem o teme e pratica a justiça, de qualquer  nação a que pertença”  (At 10, 35).



 
 
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