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A utopia socialista sobrevive
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O século XIX foi o patrocinador de grandes sonhos sociais que, quase todos, acabaram morrendo na praia. A queda do delírio comunista,  abalou profundamente as profecias deterministas, com data marcada de vitória.

A visão dos principais líderes agora já preconiza melhores tempos. Mas o socialismo, uma heresia de raiz cristã, como um eco, continua se propagando, mesmo que o som original já esteja extinto. Assim dá  aparências de grande vigor.

Está aí o “Programa Nacional de Direitos Humanos–3”, um verdadeira alucinação socialista, representativa do que de mais retrógrado pode haver. Estão aí numerosos partidos políticos, que não abandonaram o viés utópico do século das grandes ideologias.

Está aí a Teologia da Libertação, em si boa, mas negativa quando não purificada de sua ferramenta marxista. Estão aí certas Campanhas da Fraternidade que,  quando  voltadas para os jovens, não conseguem esconder suas preferências por um chamado “mundo melhor” sem defeitos  A grande pergunta é: por que persistem tais idéias, apesar de tantas evidências maléficas contrárias?

A resposta é simples. Querer acabar com o egoísmo aproveitador, com o lucro excessivo, livrar os pobres da exploração, garantir a igualdade social entre todos,  é uma proposta sumamente tentadora. Dela não conseguem escapar os representantes da nova geração, cheios de ideais magníficos, que consideram os do outro lado todos defensores de privilégios, elites opressoras, perseguidores dos pobres.

O socialismo não consegue fugir de um erro de nascença. Pau que nasce torto, cresce torto. Trata-se do método. Este precisa ser impositivo e ditatorial. Nenhum povo se deixa convencer de abandonar suas conquistas, e sobretudo a sua liberdade. O socialismo não consegue ser respeitador da liberdade. Nem quando se paramenta de democrático. Misturar as duas coisas, pegar só o que é bom de cada lado, definitivamente não dá. Com isso não estamos canonizando o capitalismo liberal que, como o socialismo, tem raiz atéia. Encontrar a terceira via, alijando o capitalismo egoísta, e o socialismo cruel, é um desafio que perdura quase dois séculos. “A mulher, tendo perdido a moeda, acende a lâmpada, varre a casa, e a procura até encontra-la” (Lc 15, 8).



 
 
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