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O imaginário brasileiro
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Um famoso “pai” da Igreja primitiva, do segundo século, Tertuliano, cunhou uma frase que se repete pelos séculos: “A alma humana é naturalmente cristã”.  Ele quis ensinar que o universo cristão é tão ajustado à expectativa do coração humano, que sua doutrina se encaixa na alma como uma luva. O catolicismo satisfaz, e preenche as inclinações do coração. Só existem duas forças que impedem seu progresso irresistível entre os povos. 

São as leis governamentais férreas que se opõem à menor explicação de seus ensinamentos ou ao exercício livre do culto (como ainda acontece nos países de maioria muçulmana). Ou quando os próprios cristãos não tem capacidade dinâmica para se sobrepor ao paganismo vigente (como sucedeu diante do iluminismo). 

Expondo de maneira compreensível os ensinamentos de Cristo, a acolhida é certa. Se houver inteligências cultas, acompanhadas de valor moral, suficientemente livres, que exponham fielmente os ensinamentos de Cristo, o progresso do cristianismo é irresistível. Gostemos ou não, Jesus antecipou que viria o tempo, em que “haveria um só rebanho e um só Pastor”  (Jo 10,16).

Como entender a frase lapidar de Tertuliano, diante do interesse  evidente pelos filmes e obras que falam dos  espíritos, aqui no Brasil?  Seria atração pelas forças misteriosas e ocultas, ou pior ainda, pela magia? Penso que não. O nosso povo tem um mínimo de conhecimentos de fé,  para não cair nesse encantamento.

Outros acham que o nosso “ethos” tem muito a ver com as crenças dos indígenas, e com o animismo da África, que atribuem grande atividade aos espíritos. A alma do brasileiro estaria marcada pelas crenças dos ancestrais.

Em parte pode até ser. Mas o principal é que essa população se move num ar rarefeito de conhecimentos sobre Jesus Cristo. É uma asfixia espiritual. Como a nossa natureza tem “horror ao vácuo”, essas verdades incompletas encantam certas camadas do povo. Faltam os anunciadores do “conhecimento completo da pessoa de Jesus Cristo”  (2 Pd 1, 3). Quem conhecer essa pessoa ficará arrebatado, a ponto de não haver mais espaço para substitutivos.



 
 
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