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Um imenso canavial
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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“Todas as preocupações da humanidade, são preocupações da Igreja” (Paulo VI).

A política cambial brasileira, com a supervalorização do real perante o dólar,  impõe aos produtores rurais uma humilhação sem precedentes. Os seus produtos como soja, café, milho, feijão e outros, na hora da colheita são comercializados a preços vis, causando-lhes prejuízos em vez de lucros.

Os responsáveis por essa política suicida não mostram o menor sinal de arrependimento. Com isso sinalizam que tudo vai continuar do mesmo jeito. As perspectivas para o homem do campo são  o desânimo ou até o abandono das atividades agrícolas.

 Mas eis que surge no horizonte uma solução salvadora. O poder público favorece a produção de álcool, sem dúvida, uma  resposta inteligente e duradoura para a demanda de combustíveis. As empresas alcooleiras, dentro de uma previsão razoável de lucros, sinalizam para os proprietários rurais, com vantagens irrecusáveis.

O arrendamento de suas terras, garantido por muitos anos, vai proporcionar lucros invejáveis. Isso permite aos rurícolas pagar suas dívidas, receber sem fazer esforço, e ir morar na cidade, onde a vida é mais fácil de ser conduzida. Portanto, a produção de cana, a curto prazo, é a solução derradeira. Quem não entrar nesse esquema, corre o risco de ser classificado como retardado.

Mas a longo prazo a coisa é outra.  Os alimentos, nas regiões canavieiras, vão ter produção zero. Na roça não vai mais haver espaço, nem para um tomate, nem para um frango. A criação de gado cairá drasticamente.

As comunidades rurais vão se esvaziar. Desculpem-me os incautos. Dizer que isso não vai acontecer, porque a legislação só permitirá tantos porcento da propriedade, destinados à cana, é uma falácia. Será mais uma dessas leis que “não pegam”.

Basta ver o cumprimento da lei que obriga a manter 50 metros de mata ciliar nas margens dos cursos de água. Você viu, em algum lugar do Brasil, o cumprimento de tal exigência?

A lei da limitação de área, reservada para o plantio de cana, será um doce desejo. O fato é este. As  regiões do país, onde não há incidência de geadas, vão se converter num verde pálido a perder de vista. O que hoje vemos como uma região, com abundância de produção agrícola, vai virar um enorme canavial. Não daria para unir os dois aspectos: produzir álcool e otimizar a produção e alimentos?



 
 
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