Colunas
 
E por falar em palmadinhas...
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
Leia os outros artigos
 

Não há muito a discutir. Os primeiros educadores dos filhos são os próprios pais. O Estado entra em cena muito depois. Os benefícios que o poder público traz coordenando as atividades escolares, e impondo limites aos desvios de conduta dentro do lar, são reconhecidos pela família.

Os pais, de fato e de direito, são os primeiros que devem inibir comportamentos anti-sociais de crianças e de adolescentes. “Corrige teu filho, que ele te deixará tranqüilo e te trará alegrias” (Prov 29, 17).

Está suposto que tal correção nasça do amor pelos filhos. Mas isso de impor retificações de comportamento deve ser o momento 2. O momento 1 deve ser a formação preventiva, que ensina as maneiras certas de agir e de reagir. Fico surpreso de o poder público querer proibir a palmada. Se dissesse que é proibido torturar, humilhar, machucar, envergonhar os filhos, então estamos de acordo. Embora o próprio governo dê as sua palmadas. Ele multa, põe na cadeia, aciona inquéritos...Os romanos diziam: “De minimis non curat Praetor” ( O magistrado não se imiscua em pormenores).

A grande força da educação é usar o método preventivo, como fazia esse grande educador chamado Dom Bosco. Então o castigo se reduz a proporções mínimas. Na boca do povo corre este ditado: “é melhor prevenir do que remediar”.

Alguém pode me apresentar educação preventiva melhor do que passar princípios religiosos à nova geração? Aqui estamos encontrando lacunas insuspeitáveis. Muitas famílias, dando uma de espíritos abertos e de moderninhos, nada querem ensinar na área religiosa, alegando que assim o filho poderá, mais tarde, escolher por conta própria a sua religião. É uma contradição.

Os pais obrigam os filhos a se vacinar, obrigam ir à escola, exigem que comam só o que faz bem à saúde. Por que não haveriam de ensinar que Jesus é o grande Mestre da vida, que o Pai do céu ama a todos os seus filhos e filhas,  e por isso não podemos fazer o mal a ninguém? Esse é o grande segredo, esquecido nestes tempos de progresso retumbante, mas unilateral. Ouçamos  São Paulo: “Dizei-lhes todas essas coisas. Exortai-os com toda a autoridade”  (Tt 2, 15).



 
 
xm732