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Fui ver “Cefas”
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Durante duas semanas do mês de junho/2010, estive em Roma, com os demais Bispos de Minas Gerais (35).

Fomos cumprir uma prescrição canônica de nos encontrar com o Papa, e de visitar os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Para mim já foi a quinta vez que cumpro esse agradável preceito. Não é agradável por causa da viagem (que oferece pouca novidade), mas pela experiência religiosa inigualável.

Encontrar-se com o Papa, conversar pessoalmente com ele, perceber que ele me reconhece, e captar suas preocupações, é sempre uma vivência indescritível. “Tres anos depois fui ver a Cefas, e fiquei com ele 15 dias” (Gal 1, 18). Caminhar no meio dos romeiros, que vem do mundo inteiro – então de brasileiros Roma está assim – é sentir-se católico até o fundo da alma. (Ao passar a pé numa rua, um casal de Uberaba me reconheceu e expressou com gentileza sua amizade para comigo).

Quanto às nossas atividades episcopais na cidade eterna, foram de enorme proveito. As visitas aos dicastérios romanos (espécie de ministérios religiosos), nos revelaram Bispos e Assessores muito cultos e atualizados. Posso dizer que aprendi muito com sua sabedoria, suas pertinentes iluminações. São pessoas muito versadas nas suas áreas referentes à educação católica, à cultura moderna, à formação do clero, ao diálogo com as religiões, à aproximação com os que não tem fé, à vida sacramental das nossas comunidades. Com alegria percebi que são conhecedores “ventilados” de suas áreas.

Suas posições são avaliadas pelo constante diálogo com o mundo moderno. Fomos muito bem tratados por todos eles. Aquela atitude de superioridade, que eu percebera neles em décadas passadas, está superada. Quanto a Bento XVI, pude ver nele um homem de Deus, de extrema delicadeza de trato, e uma inteligência extraordinária. Em compreensão teológica, em posição esclarecida da fé, em firmeza tranqüila de confiança na pessoa de Cristo, é difícil encontrar uma pessoa melhor. É isso que parecem dizer as multidões que afloram de todas as partes do mundo. Se em 1980 encontrei muita gente nas imediações da basílica de São Pedro, agora encontrei muito mais ainda. Voltei fortalecido na minha fé em Cristo e sua Igreja, e vi que não “havia corrido em vão” (Gal 2,2).



 
 
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