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Se não caiu, foi por força do alto
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nunca vi conjugação de forças tão poderosas como essas que açoitaram a barca da Igreja, neste ano de 2010. O que se fez foi de arrebentar muralhas de aço. Lembrei-me de uma frase de Mike Tyson, ilustre demolidor de pesos pesados: “todo golpe meu, tem finalidade mortal”. Não pretende derrubar, ganhar por pontos.

Quer acabar com o adversário, eliminar, matar, enfim. Qualquer cidadão do mundo agora “sabe” que os clérigos da Igreja Católica são pedófilos, e merecem ser execrados. Para sempre. (Pelo que se percebe, aceitam a eternidade do inferno). Ao lado, os líderes de outras igrejas passeiam tranquilamente, e são todos considerados puros e honestos.

Com tal somatória de forças, sobraria fúria para destruir a Igreja de Cristo até sete vezes. Não existe no mundo entidade capaz de suportar tal saraivada de golpes, e permanecer em pé. Nem partido político, nem governo, nem religião alguma. Só mesmo por Jesus, que deu uma cobertura de proteção especial à Igreja Católica. “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). O procedimento universal contra a nau de Pedro poderia até nos levar à vaidosa idéia de que o mundo reconhece que a única religião que merece ser atacada é a nossa. As outras seriam dignas de compaixão.

Isso posto, sejamos sinceros, e olhemos para frente. Pelas “tossidas” do motor do caminhão, a trajetória vai ser aos sobressaltos. A má fama que alguns clérigos nos impingiram, vai permanecer por uns bons 20 anos. O  nome limpo não poderá  advir pela desconstrução da tramóia persecutória. Mas virá de uma verdadeira conversão à santidade de vida. As feridas precisam ser esterilizadas e tratadas com remédios anti-infecção. Os Bispos da CNBB, reunidos em Assembléia, trataram exaustivamente do assunto.

O que sobressaiu foi a abordagem da temática, como fazem os pais diante dos seus filhos. Não predominou a desesperança, mas sim a confiança. Praticada a purificação, e tomadas as cautelas diante de vocações equivocadas, reconquistar-se-á a confiança do povo de Deus. Às vezes vale a promessa divina: “A vara e a disciplina dão sabedoria” (Prov 29, 15).



 
 
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