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Mulher sublime
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nós varões todos –  penso estar falando pela maioria – temos dentro de nós o perfil da mulher perfeita.

É a mulher dos sonhos, que encaixa no quadro de uma vida cheia de ideais e de grandes realizações. Tem características de um arquétipo motivador.

Mesmo quando elas criticam os homens, elas são benéficas. Pois nos põem para frente. Sua presença  benfazeja não acontece somente no âmbito familiar, mas também na pastoral, na literatura, na busca da santidade de vida, e na educação. Entretanto, tal sonho, umas tantas vezes se esboroa diante da dura realidade concreta do cotidiano, que não se afina ao esperado.

A mãe de Jesus, no entanto, foi a mulher que correspondeu em plenitude à expectativa da raça humana. Maria é a “bendita entre todas as mulheres” (Lc 1, 42), mãe que mostrou coragem, por “ficar de pé junto à cruz” (Lc 21, 36) e ser bendita “porque acreditou” (Lc 1, 45). Quero mostrar duas razões que comprovam a sublimidade dessa filha de Israel, que foi aquinhoada por Deus com favores, não concedidos a mais ninguém neste mundo.

A primeira é de ordem biológica. A maioria dos seres vivos é proveniente da confluência do espermatozóide (masculino), e do óvulo (feminino) da fusão dessas duas células, cada uma com sua carga genética específica, nasce um novo ser, parecido, mas diferente de seus genitores. Jesus, porém, “foi concebido pelo poder do Espírito Santo” (Lc 1, 35), e não teve concurso masculino. Na sua natureza humana, Jesus foi inteiramente, engendrado pela carga genética de Maria.

Por isso Ele deverá ter sido extremamente parecido com Maria, e herdado o seu jeito, e suas características. A segunda razão de sua importância excepcional é de ordem exemplar.  Você já observou que, contrariamente a toda a humanidade, Jesus nunca pagou tributo à guerra de gêneros? Jamais de seus lábios saiu qualquer ensinamento desairoso contra as mulheres. Suas parábolas nunca trataram as filhas de Deus com desdém.

Mas nos seus ensinamentos elas são apresentadas de maneira simpática, e até grandiosa. Nem  no trato com as pessoas, Jesus foi grosseiro para com qualquer mulher. De onde viria isso? É de sua experiência familiar, onde Ele viu na sua mãe uma mulher extremamente querida, mas ao mesmo tempo objetiva, trabalhadeira, firme e aberta para a vida em Deus. Foi uma transferência psicológica, que facilitou a Jesus alçar para uma grande dignidade todas as mulheres da terra.



 
 
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