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Forças e fraquezas da democracia
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O regime democrático ensina que todos os seres humanos são iguais em direitos e em dignidade.  Reconhece-se com isso também a igualdade de chances para todos. Mas esse regime aceita também o direito a certas diferenças. Como faz a natureza, onde uns são mais fortes do que os outros, tem mais dons, uns nascem machos, outros fêmeas.

As diferenças, num quadro sem prepotência, enriquecem o conjunto. Por isso, viva a diferença! Mas o grande fascínio da democracia reside na convicção de que nenhuma pessoa isolada detém a verdade plena; de que as pessoas podem conviver, quando se aceita um mínimo de valores comuns; de que ela condiciona o dinamismo das pessoas e dos grupos, para superar os  problemas humanos; de que todos podem participar. Não acredita em outorga generosa externa. (Os ditadores se julgam benfeitores da humanidade).

Mas esse regime carrega em si alguns limites. Em ambientes maiores é impossível uma democracia direta, para controlar os governantes e fazer leis. Devem ser estabelecidos representantes, que podem ser fiéis ao povo, ou traí-lo. Grande parte desses representantes sofre da permanente tentação, não de trabalhar pelas causas da sociedade, mas de agir, visando as próximas eleições.

A população, diante de um chamado para dar seu voto, pode ficar deslumbrada, não pelo candidato mais capaz e mais justo. Mas pelo mais elegante, mais rico, mais falante, mais bajulador. É o efeito falaz de uma comunicação cheia de seduções. Mesmo fora de eleições, a democracia não costuma ter armas para resistir ao embuste, ao “direito” dos poderosos, às seduções prejudiciais a um país.

 Existe um país do hemisfério norte, que impõe ao Brasil sua cultura, sua língua, sua religião protestante, seus costumes. E  o povo brasileiro não tem forças para se opor, dentro da lei. Por isso continuará a imposição do inglês, o avanço sedutor das seitas, o serviço do computador anglófono.

Também sairá da China um ataque comercial fulminante, que debilitará nossa produção. E não temos nenhuma arma legítima,  capaz  de nos proteger de tais incursões. Eu disse nenhuma. Mas de fato temos armas. É preciso explorar os recursos recônditos da democracia, que estão escondidos no seu bojo.  Caso contrário, nestas próximas eleições, uma montoeira de indignidades, já está alçada para tomar conta do cofre.



 
 
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