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Em missão permanente
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Depois da Conferência de Aparecida / 2007, a Igreja está ensaiando uma mudança radical na sua maneira de ser. O nosso costume secular foi sempre acionar o sino, para chamar os fiéis às celebrações. Depois modernizamos um pouco essa “voz de Deus”, colocando alto-falantes. 

A preocupação era uma política de conservação daqueles que faziam parte da comunidade. As considerações sobre os fiéis afastados, e a multidão das pessoas confusas na sua fé, era bastante reduzida.

As nossas ocupações quase se resumiam em novenas, celebrações eucarísticas, festa do Padroeiro, catequese das crianças, procissões e horários de confissão. Assim eram atingidos 10 a 12% da população católica.

Durante séculos fomos uma Igreja voltada, precipuamente, para dentro.  Em Aparecida descobrimos que a evangelização precisa começar de novo. Daí a “Missão Continental” que o Brasil traduziu para “Projeto Nacional de Evangelização”. Agora a ordem é sair.

Não mais podemos aguardar as pessoas na igreja, mas sim, ir ao seu encontro, onde quer que elas estejam. E essa missão não é mais apenas uma arrancada, para depois entrar em novo repouso. Trata-se de um estado permanente de missão, que pode levar muitos anos. Também os protagonistas dessa nova hora são outros. Não são apenas os Padres, mas especialmente os leigos e leigas que, corajosamente se embrenham neste vasto mundo moderno.

Nas minhas Visitas Pastorais nas Paróquias, deparei com centenas e centenas desses novos missionários. São homens e mulheres, e até jovens, que se sentem desafiados para uma nova missão.

Todos, para se prepararem, seguiram a “cartilha missionária” da arquidiocese. Através dela receberam treinamento, e foram propostos roteiros de trabalho. Sentiram-se enviados por Jesus, “dois a dois” para os novos areópagos de hoje.

E vi também esses bons discípulos do Senhor, voltarem alegres e realizados de seu apostolado. Sentiram na carne a grande promessa de salvação do Senhor: “Alegrai-vos pois os vossos nomes estão inscritos no céu”.   Realmente. Flui um sangue novo nas veias da Santa Igreja. Estão provocando na população um encontro pessoal com Cristo. E as pessoas, atingidas por essa iniciativa, se sentem acolhidas como nunca na Igreja.



 
 
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