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Sou filho da vossa serva (Sl. 116, 16)
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Na grande gama de correntes teológicas, que freqüentam as  novas publicações religiosas de hoje,  podem nos ocorrer momentos de estupor. A verdade deve ser procurada, a duras penas, e com enorme fadiga.

Vemos frutos de grande labor intelectual, nas revistas católicas, nas monografias acadêmicas, nos lançamentos das editoras, nas páginas ágeis da internet. Mas nem sempre tais produções levam os fiéis a crescer na fé.

Cumpre-se o que dizia Santo Agostinho: “Magni passus, sed extra viam”. São grandes passos, mas fora do reto caminho.

O múnus de ensinar a verdade, de aprofundá-la, de adaptá-la aos tempos modernos, goza da bênção divina. “Quem praticar e ensinar os mandamentos, será considerado grande no Reino dos céus” (Mt 5, 20). Esses que ensinam a verdade, a comunidade cristã sempre os considerou confessores da fé.

Qual é o critério para sabermos, de antemão, se alguém é um pai, ou mãe na fé? É o seu ensinamento sobre a Igreja. Se este não for límpido e fiel, a sua cristologia vai apresentar “furos”; a sua compreensão trinitária terá equívocos; a sua teologia bíblica virá com incrustações estranhas.

Vejo então a eclesiologia, para horror de certas mentes “arejadas”, como o centro da teologia. Mas como um centro relativo. Pois o verdadeiro centro da Igreja é ocupado por Cristo. Os caros amigos poderão testar os ensinamentos sobre a Igreja, cotejando-os com as Escrituras, com o Concílio Vaticano II (sobretudo com a Lúmen Gentium), e com o Catecismo da Igreja Católica.

Um ensinamento inaceitável, que aparece em certos estudiosos, é dizer que a Igreja Santa deve se adaptar aos princípios do mundo moderno. Ela seria moderna, ou não, de acordo com o grau de aproximação com as “verdades” da mentalidade hodierna. E não é isso que o Concílio ensinou.

Este recomendou que a Igreja dialogasse com os homens e as mulheres de hoje. E caso houvesse alguma coisa a aprender, a doutrina católica poderia melhorar a sua proposta. “Examinem tudo e fiquem com o que é bom” (1 Tess 5, 21).  Não se fala em capitulação, mas em diálogo.

O mesmo vale para as atitudes ecumênicas. Infelizmente grande parte do mundo moderno continua no seu monólogo. Quase diria, na sua presunção da verdade.



 
 
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