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Igreja e democracia
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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á dois grandes estranguladores da vida social  humana: a anarquia e o totalitarismo.  O primeiro não admite autoridade, nem lei (PCC, invasão de terras, início desordenado de um bairro).

O segundo conquista o poder e não acredita na capacidade do povo. Por isso outorga as leis e só ele se julga capaz de entender o que é o bem comum. O uso da autoridade, segundo leis,  no entanto, deve ser considerado onipresente em todas as organizações bem sucedidas.

Basta ver seu exercício  na empresa, no quartel, na prefeitura, na paróquia. É uma questão de sobrevivência. Se alguém quer destruir uma organização, começa por deitar abaixo suas autoridades. São Paulo chega a ser contundente. “Quem se opõe à autoridade (legítima), se opõe à ordem estabelecida por Deus” (Rom 13, 2).

Hoje se considera que a forma mais civilizada de exercer a autoridade, é o regime democrático. Nele se admite que muitas cabeças pensando é melhor do que uma só.

Também se tem a firme convicção de que esse regime contém em si o ajustamento dos problemas, a solução progressiva das divergências, e a possibilidade da paz social. É claro que na democracia podemos elencar muitos defeitos, como a descontinuidade de obras, e a preocupação permanente em agradar os eleitores, para garantir as próximas eleições. Até se chega a perguntar se a democracia ideal já existiu em algum lugar do mundo... Mas assim mesmo é o regime que melhor respeita a dignidade de todas as pessoas.

E agora perguntamos: qual é o regime da Igreja? Logo devemos dizer que democracia e vida eclesiástica nunca vão coincidir. Porque o poder da democracia nasce do povo. E o poder na Igreja tem outra fonte. (Também o poder judiciário tem outra dinâmica, bem como a classificação de professores, de serviços de saúde...que usam o critério da competência). No meio eclesial a fonte do poder é a pessoa de Jesus. Nós fomos um povo disperso

Mas o “Espírito de Deus os constituiu guardiães para apascentarem  a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue de seu próprio Filho” (At 20, 28). E nós aderimos a essa pertença pelo nosso batismo. Por isso dizemos que na Igreja a fonte do poder é Jesus. Mas o exercício desse poder deve ser muito semelhante ao poder que existe numa boa família. É o regime de comunhão, pelo qual buscamos a concordância. Tanto isso é verdade que no meio eclesial as pessoas mais importantes não são os Padres e os Bispos, mas os Santos que foram seguidores de Jesus.



 
 
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