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Papai Noel, uma causa perdida?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nas comunidades católicas recebe muito estímulo a “Novena de Natal”. Ela visa restabelecer a atenção para a pessoa de Jesus, cujo nascimento celebramos no dia do “Sol Invicto”, hoje 25 de dezembro. Os grupos que se fazem nas casas de família, para  preparar o nascimento de Jesus, podem até ser classificados como sucesso.

Em cada Diocese se formam milhares desses grupos, que abordam assuntos muito sérios da vida moderna, e se procuram aprofundar no sentido do nascimento de Jesus.

No Brasil se reúnem milhões de fiéis cristãos, para admirar o projeto de salvação do Pai Eterno. A idéia é muito válida, e precisa prosseguir. Mas apesar de essas novenas já existirem há uns 40 anos, nada se percebe de esvaziamento da figura mítica do papai noel. 

Ele continua cada vez mais presente no comércio e no ideário das crianças. A idéia já deu filhotes: agora, além do bom velhinho, existem as mamães noéis, os meninos e as meninas noéis. Não se prevê paradeiro nessa idéia. Parece que perdemos a luta em favor do menino-Deus, filho da Virgem Maria.

A introdução da idéia do velhinho, distribuidor de presentes, foi muito bem planejada. Veio da iniciativa de estrategistas, cuja cabeça não dava espaço para a figura do Salvador, Filho de Deus. Essa idéia precisaria ser substituída, por ser religiosa demais, e ser portadora de uma evangelização sub-liminar. Não poderia ser aceita por ser portadora de idéias cristãs, contrárias ao mundo moderno.

O substituto seria um personagem inodoro e até cômico. Seria aceito por todos os povos, mesmo pelos não-cristãos. Os próprios católicos, sem desconfiar de que se tratava, vestiram-se ingenuamente de papai noel, e reforçaram a campanha. A sublime pessoa de Cristo foi reduzida a uma simples referência. A menos que haja uma intervenção externa, pois o “Espírito sopra onde quer” (Jo 3, 8), essa festa escapou de nossas mãos. Há pouco a fazer contra a paganização do evento. Estejamos vigilantes. A luta contra os símbolos religiosos apenas começou. O domingo já está desfigurado. Apesar desses prognósticos, não esqueçamos a palavra eterna de Jesus: “Não temais, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).



 
 
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