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Nada mais humano e realista
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Sei que muitos bilhões de seres humanos me precederam na visita que fiz a Israel (Terra Santa). Por isso, pouca novidade posso relatar da minha viagem, financiada pelo “Caminho Neo-catecumenal”. Mas senti que palmilhando os lugares bíblicos, sobretudo os lugares indeléveis por onde andou o Filho de Deus, parece que se desvenda a chave da história mundial. Para entender o mundo é preciso passar pela terra de Jesus. Mesmo se fosse só para admirar a pedra caliça (quase branca), com a qual são construídas todas as casas modernas, ou para sentir assombro diante da perfeição das rodovias,  ou ainda mais, sentir constrangimento diante do aproveitamento racional da água. Através do método do gotejamento, regiões inteiras são transformadas em verdadeiros paraísos verdes. É claro, não vi ninguém lavando calçadas com jatos generosos de água de mangueiras.

Mas o ponto alto, em Israel, é tocar com a mão, a história da vida ímpar de Jesus. Passando por todos aqueles lugares veneráveis: Nazaré, o lugar das bem-aventuranças, o espaço da multiplicação dos pães, o local da pesca milagrosa, Belém, as escadarias do templo, o Calvário, o Santo Sepulcro, o Cenáculo..., a gente entra em contacto com a vida maravilhosa de Cristo. “Não tiramos de fábulas o que lhes ensinamos” (2 Pd 1, 16). Percebe-se quanto a sua vida foi  isenta de lendas, de fantasias, de arranjos de tradições distorcidas. Entra-se em contacto com a vida real do maior líder da humanidade. Vêem-se suas glórias e também seus sofrimentos. O Espírito Divino, do qual Jesus estava repleto, suscitou os santos escritos que, para sempre evitaram acréscimos, pios desejos, mentiras enfim. Se me é permitido dizer, fui tomado de sentimentos indescritíveis de gratidão a Deus. Em quase todos esse lugares privilegiados tivemos a alegria de celebrar a Eucaristia. Mas a emoção chegou ao máximo quando, por especial concessão dos muçulmanos, pudemos celebrar a Ceia Eucarística no Cenáculo, local de bênção onde Jesus instituiu a Eucaristia, o Sacerdócio, e onde irrompeu o Espírito Santo. A túnica que usei naquela celebração, aposentei para sempre. É para não esquecer jamais essa graça.



 
 
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