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Na época do provisório
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Apesar da crise financeira (que dizem ter chegado ao fim), a vitalidade econômica é mais exuberante do que nunca. Há abundância de roupas novas, mesmo para os remediados.

É mais fácil do que jamais, viajar, comunicar-se, alimentar-se. Mesmo para os estudantes mais acomodados, participando das famosas equipes de estudo, ou não, chega-se ao término de cursos de terceiro grau, com o cobiçado diploma.

As tarefas escolares são facilitadas pelo acesso universal ao Google, que concede aos estudantes menos prendados, revestir-se de uma sabedoria pouco duradoura. Alcançar o diploma escolar, outrora era uma conquista reservada a poucos.

Se entramos num regime de abundância e de prosperidade material, não é dito que o mesmo aconteça com a têmpera das personalidades, com o vigor intelectual, ou com o empenho em tornar-se  uma pessoa plenamente consciente e livre. A advertência do Apóstolo: Sejam firmes na fé, sejam corajosos,  sejam fortes” (1 Cor. 16, 13) não é programa de todos. O mundo sugere que tudo deve ser substituído por produtos mais modernos.

No âmbito da fé testemunhamos muitas vacilações. Se reconhecemos que “Deus é fiel” (1 Cor. 10,13), muitos não consideram importante essa mesma  fidelidade para com a  Igreja de Cristo. Há verdadeiras devastações nas nossas fileiras. Muitos bons católicos, necessitados de maior aprofundamento na fé em Cristo, são vítimas de propaganda enganosa de quem lhes promete milagres a mancheia, prosperidade fácil (é só contribuir com muito dízimo), ter a salvação eterna já garantida de antemão (São Paulo adverte que  na “esperança é que fomos salvos” Rom. 8, 24), ficar livres de Padres escandalosos (como se em outras denominações cristãs não houvesse pecadores)...Verdadeiramente “entre vós há muitos fracos e doentes” (1 Cor. 11, 30).

Nós que somos mais fortes na fé, devemos estender a mão aos membros menos perfeitos na sua fidelidade. O remédio para eles não é passar para grupos distantes da cepa original (o Catolicismo), mas aprofundar-se na fé e na pertença à comunidade. Ah! Se houver alguém, adepto de outras denominações religiosas, que queira se tornar católico, verifique primeiro se é por fé e por convicção.



 
 
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