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Nobre filha de hebreus
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Não é a cada século que aparece uma personalidade marcante do quilate de Edith Stein.  Ela foi uma mulher que se distinguiu em áreas, que requerem capacidades muito acima da média. Nasceu em fins do século 19, entre o povo judeu, ao qual ficou fiel até o fim de sua vida.

O clímax de sua existência transcorreu nas quatro primeiras décadas do século 20. Teve uma vida realmente agitada, e cheia de emoções fortes. Os vagalhões que se arremeteram contra a sua trajetória, derrubariam a maior parte das personalidades.

Foi uma mulher para a qual se poderia repetir a expressão aplicada a São Paulo: “um vaso de eleição” do Senhor. Graças à sua prendada inteligência, descobriu seus pendores para a Filosofia.

Desdobrou nela todas as suas capacidades, alcançando alto prestígio intelectual, a ponto de se tornar procurada Mestra em várias áreas de pensamento, por toda a Europa. Os livros que escreveu atingiram notável profundidade. Mergulhou, com convicção e como grande líder, no movimento feminista.

Mas foi justamente na Filosofia que o verdadeiro Mestre a esperava. Por causa de pensadores diversos, tornou-se atéia. Virou uma alma seca.  Por ter dentro de si o desejo de busca da verdade, embrenhou-se em estudos, que a colocaram frente a frente com grandes filósofos católicos.

A personalidade que a chocou de vez, foi Santa Teresa de Ávila. Depois de muito estudar, e de tudo analisar com minúcias, chegou à conclusão de que a resposta integral para a humanidade era a pessoa de Jesus, como está proposta na Igreja Católica. Ao manifestar à sua mãe a resolução de se tornar católica, houve por parte desta uma profunda mágoa, e até a tentativa de dissuasão. Mas ela não só se fez batizar, como resolveu tornar-se Irmã Carmelita.

Entrou no claustro, para viver na intimidade com Cristo. Mas o nazismo, no auge de sua loucura, logo a descobriu. Tentando sair fora da perseguição, transferiu-se para um Carmelo da Holanda, onde os nazistas não tardaram em encontrá-la.

Para não prolongar a conversa: foi morta covardemente pelos carrascos de Hitler. Deixou-nos um precioso diário, que deixa transparecer a grandeza de sua fé. Por causa de sua singular santidade, João Paulo II a declarou Santa da Igreja Católica. Não tenho a menor dúvida em exclamar: Santa Edith Stein, rogai por nós.



 
 
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