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O mundo foi vacinado.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A vacina foi uma grande descoberta em favor da saúde pública. Inoculam-se germes enfraquecidos ou mortos nas pessoas a serem imunizadas contra certas doenças. Inicialmente a tendência dessa vacina é prejudicar a saúde da pessoa.

Mas como os germes são de baixo poder de ataque,  o organismo fabrica anti-corpos, que depois permanecem no sangue.

Quando houver um ataque de germes poderosos, esses anti-corpos expulsam os invasores, e a perfeita saúde é mantida, sem maiores problemas.
        
O “Código Da Vinci” foi uma verdadeira vacina para a humanidade. Dan Brown tentou inocular na humanidade o germe da descrença e da dúvida contra uma Igreja pretensamente infiel e mentirosa.

Seu objetivo, sem meias palavras, foi para destruí-la. A princípio parecia que o poder de fogo desse inimigo de Cristo e da verdade, seria devastador.

A comunidade Católica, mediante esse fantasioso livro e do respectivo filme, seria objeto da ira universal. Ficaria mais do que provado que o “Vaticano” teria ocultado, durante séculos, a verdade sobre a descendência de Jesus, sobre fatos escamoteados do evangelho, e teria protegido, por dois milênios, grupos subterrâneos e eternamente tramantes contra a humanidade.

Enfim, uma obra que teria ferido de morte leitores que mal soubessem assinar o nome, e que fossem perfeitamente crédulos. A mentirada foi grossa demais para obter sucesso. Os fatos aludidos são tão inconsistentes que não há, no século XXI, pessoa capaz de engolir a grosseria. Com humor o livro dos Provérbios observa:”Não adianta armar o alçapão, quando o passarinho está olhando” (Prov 1,17).

O efeito da fantasia de Dan Brown, deu exatamente o contrário do que se esperava.

Foi uma vacina poderosa que imunizou a humanidade pensante contra ataques, que pretendem ser arrasadores.

É como se as pessoas dissessem, com bom humor: “conta outra”.  Deduzo isso dos seguintes fatos: 

1 – Ninguém, até hoje, veio tirar satisfação da Igreja sobre fatos narrados na fantasiosa obra; 

2 – O grande número de leitores e de espectadores que pagaram para conhecer o romance e o filme. Aparentemente o sucesso econômico é a favor do autor, quando na realidade foi só para o povo confirmar suas desconfianças; 

3 – O assunto do livro e do filme entrou em estado de letargia.

O tema saiu de pauta. Podemos, no futuro, ser agredidos por outros golpes. Mas o assunto deste, jaz inerme, mordendo o pó.



 
 
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