Colunas
 
Saúde em primeiro lugar
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
Leia os outros artigos
 

O nosso corpo, para ter plena saúde, depende de fatores genéticos. Mas não podemos esquecer, além disso, que o organismo é aquilo que comemos e bebemos: gordos, magros, doentios, saudáveis, infestados de parasitas...

Entre o que ingerimos está decididamente o ar que inalamos. Os pulmões precisam trabalhar com oxigênio, em condições puras, e não misturado com gazes venenosos. Sua resistência a misturas deletérias,é relativa.

Não há pulmões de aço. Embora nos dias atuais já existam outras empresas, voltadas a produzir “material pitante”, os jovens cantavam, outrora, maliciosamente: “O meu coração/ é só de Jesus./ Mas os meus pulmões/ são da Souza Cruz.”

De fato, todos nós somos reféns da cultura indígena. Na década de mil novecentos e cinqüenta, médicos americanos se reuniram, e trocaram informações sobre as conseqüências do uso do fumo. Concluíram, sem margem a dúvidas, que provocava câncer, entre outros males. Constataram também que 30% dos óbitos tinham a sua origem no tabaco. 

Essa notícia, para pegar, levou várias décadas. A ingenuidade continuou, a ponto de eu ter ouvido, de um ancião: “eu me tornei nonagenário, porque fumei desde o tempo de criança”. A propaganda, para vender cigarros, apresentava jovens fumantes, alegres, cheios de otimismo, soltando baforadas charmosas. A elegância e o sucesso era com eles mesmo. Eles se esqueciam da feiúra das bitucas, do mau hálito, do incômodo aos circunstantes. Nem se lembravam que em ambientes fechados, o cheiro do fumo penetra nas roupas, e até nos cabelos. (Pode haver cheiro pior do que o do charuto, usado em lugar fechado?)

Hoje em dia o tabagismo já está desmascarado. A legislação está se tornando sempre mais dura, chegando ao ponto de se querer proibir o uso do tabaco em qualquer ambiente fechado. O motivo é que as outras pessoas, nesses ambientes, entram na exposição passiva, tão maléfica quanto o próprio ato de fumar. Entre os fumantes tenho muitos amigos e amigas. Quero-lhes muito bem. Gostaria que fizessem como eu mesmo fiz. Que abandonassem esse perigoso vício, e que colocassem a saúde em primeiro lugar. “Eu te propus a vida ou a morte. Escolhe, pois, a vida”  (Dt 30, 19). No dia 29 de agosto, dia nacional de controle do tabagismo, é uma boa data para apresentar uma nova vida, livre do vício.



 
 
xm732