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A Bíblia, uma grande revelação
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Para quem tem mente aberta, o grande Ser - o único necessário -  abre espaço de comunicação com os seres racionais. Mas não na ordem dos sentidos. E sim, no nível da capacidade intelectual, e das intuições.

Por isso, nenhum animal pratica atos religiosos. A sua comunicação restringe-se ao “ici-bas” (ao mundo visível e imediato). Mas os seres inteligentes podem tornar-se interlocutores do Criador amoroso, através das maravilhas da natureza, sempre a serem descobertas como surpresas sem fim.

Os seres racionais também podem alcançar a revelação dos segredos divinos, através dos acontecimentos da história. Como também pelos acontecimentos, não de menor monta, da nossa história pessoal. Basta ter capacidade de observação. “Que o Pai ilumine os olhos da vossa mente”  (Hb 1, 18).

No entanto, a nossa fé demonstra, com argumentos indestrutíveis, que a fina flor da manifestação divina, àqueles que são “sua imagem e semelhança” (Gen 1, 26), se dá através das páginas incomparáveis da Sagrada Escritura. Para nós cristãos, podem existir bilhões de livros.

Mas só a um denominamos o Livro.  Porque nele o Cristo nos fala, como Palavra revelada do Pai. Tais escritos contém a inspiração do Espírito Santo. Mesmo que tenham um invólucro muito humano, manifestam os principais segredos divinos. E o que é importante para nós, expressam o que esse Ser amoroso espera de nós: a aceitação de seu Filho, Mestre e Salvador.

Esse tesouro foi entregue por Jesus à sua Igreja, que o deve destinar a toda a humanidade. Pois bem. Hoje a Bíblia é o livro mais comentado e estudado do mundo. Os estudos críticos e históricos destrincham página por página, e linha por linha. Isso é muito bom. Mas é apenas a primeira fase de sua leitura. Por ora, não vou me referir a duas chaves fundamentais de interpretação, que é a verdade sobre Cristo e sua Igreja.

Quem não enxerga tais verdades nas páginas sagradas, nada entendeu das Escrituras. Mas me refiro à fase essencial da leitura: é a procura do seu sentido espiritual (ou alegórico). Descubro o que Deus quer falar para mim. Devo entrar em oração e descobrir, diante do Senhor, qual é a revelação que está reservada para mim e minha comunidade.  “Fazei tudo o que Ele vos disser”(Mt 23, 3).



 
 
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