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Falta a pacificação
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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No esforço nacional de integração social o Exército é considerado um vilão. Do período revolucionário, na análise dos esquerdizantes,  só são lembrados seus erros e deslizes. Mas na verdade, o Exército nacional  foi um benemérito.

Na sua gestão foi engendrado o Brasil moderno nas comunicações, nas finanças, na educação, nos transportes... Por alguns anos se acabaram as ratazanas do dinheiro público. Mas sobretudo ele nos livrou da experiência maldita do regime comunista.

Esse perigo foi real. O pleno funcionamento dos “Grupos dos Onze” é uma prova contundente do perigo que se aproximava. Ao ver a Escola Apostólica da minha Congregação, um prócer socialista afirmava sem subterfúgios: “quando vierem os vermelhos, tudo isso será nosso”. A proteção do governo João Goulart foi total. Hoje como grupo remanescente, permanece o MST, pouco interessado em reforma agrária, e muito em outro sistema político (socialismo mais retrógrado). O poder judiciário costuma passar a mão na cabeça dos líderes, infratores contumazes da Constituição.

Para acompanhar bem meu pensamento sobre o período revolucionário, posso dizer que saudei a Revolução como uma libertação nacional. Mas o desencanto não demorou a aparecer. Talvez por uma deficiência de formação, os militares não haviam aprendido a respeitar os direitos humanos, e os rumores de aplicação de torturas (“para fazer os bandidos falar”) eram cada vez mais constantes.

Com o AI 5 acabaram-se todas as esperanças. Agora a entrega do poder era  só uma questão de tempo. Nos tempos atuais, em nível de Federação, os maus tempos estão emergindo novamente. Não estamos “assessorados” por inúmeros servidores da República, com passagem demorada pelos bancos da guerrilha? Não são nossos melhores “amigos” estrangeiros, chefes de nações em busca de um socialismo anacrônico? Não querem nos empurrar goela abaixo candidaturas que pouco tem a ver com as nossas tradições cistãs?

Está bem: suportamos tudo isso; somos maduros para suportar campanhas a favor do aborto; para muitos “perseguidos políticos” aceitamos indenizações; suportamos más amizades internacionais. Só não entendo por que não são reconhecidas as conquistas do tempo revolucionário. Se queremos a pacificação nacional, é preciso reconhecer os valores positivos da revolução de 1964, e suas retas intenções iniciais.



 
 
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