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A “nobre” arte da política
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A posse de Prefeitos, vice-Prefeitos e Vereadores, traz para o centro do tablado, as mulheres e homens públicos de nossos Municípios. Eles são pessoas muito próximas de nós, pois receberam a incumbência de resolver os problemas, os planos, e os sonhos das pessoas com as quais convivemos diariamente. É verdade, o exercício da Política tem caráter ambíguo.

Ao mesmo tempo em que  nos sentimos satisfeitos pelo calçamento de uma rua do nosso bairro, pela abertura de uma escola nova para as crianças, pela multiplicação do serviço de água tratada, nos irritamos com a morosidade das soluções, com as vinganças reles dos políticos, com o desaparecimento mal explicado de dinheiros públicos, com os problemas nunca resolvidos dos pobres. Apesar das decepções, somos otimistas contumazes.

O exercício da Política, apesar dos reveses,  nos leva a sermos cheios de esperança. Continuamos a considerar a gestão pública uma “nobre” arte. Continuamos confiando em eleições sempre mais seletivas, e em pessoas sempre mais bem preparadas. O otimismo de Paulo VI chega a  ser uma expressão de confiança na raça humana, quando afirma: “A Política pode ser uma das melhores expressões da caridade fraterna”.

As Escrituras, sem se posicionar sobre a origem do poder – se por meio de eleições, por herança, por mérito, ou até por imposição – considera que as autoridades sejam consideradas necessárias para o funcionamento da sociedade. “Lembre a eles (povo), que devem ser submissos aos magistrados e às autoridades”  (Tit 3, 1).

Quando é que uma autoridade é legítima? Quando é aceita pela população. Via de regra, toda autoridade, dentro do âmbito de suas atribuições, merece crédito e obediência. Caso contrário, seríamos adeptos da anarquia, que é sinal de estágio primitivo da civilização.

A organização social e política, no entanto, pode expor os homens públicos a tentações que os desclassificam: vinganças, leniência, apropriação indébita, prevaricação, interesses pessoais ou familiares, perseguições... Como os erros dessas pessoas são públicos, devem ser desmascarados em público. Mas o primeiro momento de qualquer pessoa,  destacada para gerir a coisa pública, deve ser seu presumido interesse pelo bem comum. “Faze o bem e evita o mal” (Sl 34, 14).



 
 
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