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Recepção auspiciosa
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A Santa Sé, através da Congregação Romana chamada “Doutrina da Fé” expediu uma preciosa Instrução aos fiéis, aos médicos, aos Congressos Nacionais dos diversos países, aos cientistas, aos juristas, e à opinião pública mundial, sobre “Algumas questões de Bioética”. Tal documento, no seu original latino chama-se Dignitas personae (Dignidade da pessoa).

É uma voz de muito arrojo, mas também de muita exatidão científica, por ter na sua retaguarda grandes especialistas da “Academia de Ciências” da Santa Sé, que conta em suas fileirasnomes da mais alta expressão cientifica mundial. É seu desejo concorrer para a formação das consciências, a quem cabe a decisão sobre os melhores caminhos para proteger a vida.  Enfim, quer estabelecer um diálogo com todos os que procuram a verdade.

Em que se distingue essa Instrução? Após a sua leitura concluí que não se trata de um documento proibitivo, como é o medo de muita gente. Essa abordagem também existe, por ser necessária. Mas o forte é a sua postura estimulante diante dos enormes avanços da biomedicina, que abrem novas perspectivas terapêuticas para a vida humana.

Sem, no entanto, esquecer que essa atividade também levanta sérias interrogações sobre a liceidade do uso de certos recursos. Fala que tudo o que ajuda a natureza humana (e não a substitui) está revestido de respeito ao Criador. Por isso se posiciona favoravelmente sobre as técnicas de ajuda à fertilidade, sobre o uso de células embrionárias estaminais, e outros.

Mas, em nome da dignidade humana declara a iliceidade do congelamento de embriões humanos, reprova a eliminação de seres humanos imperfeitos para aproveitar seus órgãos, não reconhece como solução a clonagem humana...Melhor é o caro leitor ler o documento no original. O que mais me causou alegria é que a Instrução não foi combatida pela opinião pública mundial, mas a aceitou num silêncio de quem quer ler o texto, pessoalmente, para emitir um parecer. É um belo começo, que não ocorreu com outros documentos similares. “Após  longa discussão, Pedro levantou-se e falou”  (At 15, 7).



 
 
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