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A variedade enriquece.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Já diziam os romanos, com toda a razão: “timeo hominem unius libri” (tenho medo de um homem que só lê um livro). Os antecessores de nossa língua portuguesa queriam dizer que, a pessoa que organiza a sua vida, a partir de um único autor, torna-se limitada e unilateral.

Perde a descoberta de novas possibilidades. Os mineiros diriam que tal cidadão se torna “sistemático”. E, em palavras menos rebuscadas, fica “quadrado”.

Deus, na sua grande sabedoria, fez aparecerem grandes quantidades de plantas e de animais, numa variedade exuberante, quase infinita. Existem milhões de espécies animais e vegetais. Até de pernilongos...O onipotente caprichou, mesmo nas raças humanas, que apresentam diferenças notáveis, de um continente a outro.

“E Deus viu que tudo o que fizera era muito bom” (Gen 1, 31). Por essa razão, respeitando o bom gosto daquele que é origem de todas as coisas, não se pode ser a favor da clonagem, quando se trata da raça humana.

Seria depauperar uma disposição genética, que garante nuanças matizadas de cores de pele e de cabelos, de força de músculos, de diferenças de inteligências, de aptidões e de sentimentos para todos os gostos.

A clonagem desconhece a potencialidade bilionária dos cromossomos e dos gens. A raça humana teria uma tendência insopitável para a monotonia e a falta de bom gosto.

Não lhe parece que entre nós existe uma tendência a nos tornarmos repetitivos? Por que a cultura unilateral do esporte bretão? Nas olimpíadas o futebol nos reduz à precariedade. Por que só pensarmos em monocultura da soja (talvez menos maléfica)? Mas agora a onda é a cana.

A curto prazo até pode ser uma solução para o homem do campo, para se safar de dívidas impagáveis dos bancos. Mas a longo prazo a monocultura da cana será portadora de pobreza para muita gente, e de esvaziamento total do ambiente rural. Dou graças a Deus porque o meu amado Rio Grande do Sul jamais vai virar um canavial.

A geada, apesar do aquecimento global, permanece uma ameaça constante. E assim as cidades jamais vão inchar descontroladamente, nem vai faltar frango, arroz, milho e soja. Vamos estar de sobreaviso. A monocultura tolhe o espírito criativo. A variedade nos enriquece.



 
 
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