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Como Deus é apresentado
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A mística, mesmo nos tempos pragmáticos atuais, exerce um secreto fascínio. Excita a curiosidade. (Veja, por exemplo, as inspirações baseadas na vida de São Francisco).

Descreve um caminho espiritual, onde aparentemente a ação do homem ocupa um lugar discreto.  A vida de piedade, na mística, é a ação divina se sobrepondo ao primado de todas as iniciativas humanas.

Na verdade, nem a ascese, que detém uma preponderância de atividades do “homo sapiens” (jejuns, vigílias, longas orações), nega o primado indiscutível de Deus. O mistério divino, profundamente presente na espiritualidade dos contemplativos, torna a divindade presente, e até evidente no caminho da fé. Torna o ser humano muito mais receptivo do que ativo.

Mesmo que se chame a isso de passividade, nada há mais perigoso do que a mística. Ela é um combustível de subversão. Todas as grandes mudanças nas instituições, na psicologia, na ciência, na religião, nasceram de mentes místicas. Alguns até foram chamados de loucos.

Nada mais insensato nos tempos atuais, do que apresentar o Ser por excelência, o Pai Justo, de elemento repressor. Seria o proibidor por excelência. Não há preocupação com o Divino. Ainda vivemos em tempos de abundância – e até de alimentos – apesar das nuvens plúmbeas da recessão, que se aproximam, ameaçadoras.

Não desenvolvemos idéias-força que impulsionem a humanidade para frente. Contentamo-nos com o dia-a-dia de uma alimentação saudável, de exercícios físicos miraculosos, de uso inteligente do computador, de manejo prático do automóvel. Usamos todos os artifícios para alcançar uma vida longa, considerada o prêmio máximo de uma vida humana.

Na vida longa não se procura desenvolver preocupações com o divino.  Esse desconhecimento do dinamismo criativo de Deus, está na base do agnosticismo moderno. O Pai Amoroso é civilizadamente descartado, porque Ele impediria os grandes ideais humanos. Nada mais trágico. A oração profunda é uma explosão de energias, em favor das pessoas, e da humanidade. “Senhor, eu me alegro e exulto em ti” (Sl 9, 3).



 
 
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