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Democracia na igreja?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Antes de tudo, por uma questão de lealdade, considero que o sistema de governo democrático, não está com essa bola toda como se procura insinuar. Ademais, tal regime de governo não se encontra, em estado quimicamente puro, em lugar nenhum.

Em alguns países se fala, com boca redonda, em democracia. Mas o que vige é o uso mais sem cerimônias, da força bruta; a compra de votos; o desprezo pelas minorias; os golpes de esperteza; a sedução dos menos instruídos; a enganação mais pura.

Todas as democracias do mundo tem vícios horrorosos, mesmo entre os americanos. Estes intervém em vários países, não levados por sentimentos de justiça apenas, mas também por interesses, os mais reles. “A democracia é um fracasso universal. A começar pela Europa e pela América do Norte” (P.Comblin). A atenuante que existe a seu favor, é que qualquer outro regime em funcionamento, é muito pior que o democrático. A democracia deve ser aperfeiçoada até atingir não só o lado político, mas também o social e o econômico. O caminho é íngreme e longo.

 “O que vos parece?” (Mt 17, 25), pergunta Jesus aos seus interlocutores. Como bom pedagogo, nas suas parábolas não entrega uma historia pronta. O seu ensinamento é participativo. A Igreja durante muitos séculos usou o método monocrático. As novas situações eram resolvidas pela intervenção costumeira do Papa, ou dos Bispos. Mesmo em Concílio, tudo ficava reservado para uns poucos.

Mas atenção. Mesmo com essa maneira de governar, as pessoas que sempre receberam as maiores referências não era a hierarquia, mas os Santos e as Santas, cujo prestígio sempre ficou muito acima de qualquer autoridade. Vivendo no meio do mundo moderno a Igreja aprendeu a lidar com Conselhos, Assembléias, Sínodos, Grupos, Tribunais Eclesiásticos. É o que se depreende dos Planos de Pastoral das Dioceses.

O Bispo, em vez de chamar especialistas, com encargo de escrever a programação das Paróquias, estabelece um diálogo construtivo com todos os diocesanos, para em conjunto, se chegar às melhores conclusões. Mesmo aqui os assuntos precisam ser definidos pelas preferências. A Igreja, no entanto, olha para mais longe: queremos ultrapassar a democracia e alcançar o que se chama de comunhão. É o regime mais perfeito, porque se alcança o consenso, sem humilhar ninguém. É esse regime que costuma vigorar dentro das boas famílias.

 

 
 
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