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Arrancada final
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Sempre quando um poeta, um músico (ou um outro artista) fazem a sua última publicação – não necessariamente a melhor – falamos em “canto de cisne”. É sinal de que o comunicador deseja sair de cenário, e aguardar o final dos seus dias.

Os antigos atribuíam ao cisne um gorjeio derradeiro, antes de morrer. Hoje poderíamos falar em clarão final da lâmpada, antes de queimar. Com todo respeito. Na vida cristã pedimos a Deus a perseverança final, para que a nossa “comunicação terminal” seja consentânea com a nossa fé. Pedimos que não demos uma nota dissonante, que desabone toda uma vida de virtude e de fé. “Quem for fiel até o fim, esse será salvo” (Mc 13, 13).

Nos últimos tempos tem aparecido no cenário da Igreja, diversos “cantos de cisne”. É o arcebispo emérito de Milão, por um lado; e o bispo emérito de Nova Friburgo, por outro. Alguém poderia dizer, maliciosamente, que já lhes falecem as capacidades mentais, por motivos de saúde e de idade.

O que não parece ser a verdade. Antes de sobrar alguma incompreensão mais séria sobre eles, digo que tudo o que li de suas afirmações, só se refere à disciplina da Igreja, e não a artigos do credo. Nos dois casos aludidos, não parece haver discordância em assuntos essenciais da vida de fé. Mas se trata de divergências sobre o celibato sacerdotal, sobre as relações com a Cúria romana (não necessariamente com o Papa), e sobre artigos da moral sexual. 

Segundo conheço de ambos, não se trata de convicções novas, mas de sinais já anteriormente emitidos: poucas  ordenações sacerdotais, relações tensas com a Santa Sé em várias ocasiões,  convicções divergentes sobre temas da vida sexual. Por serem bispos que já deixaram seus encargos eclesiásticos, não são mais passíveis de sanções canônicas.

Da minha parte, embora respeite os dois antístites, fecho firme com as disciplinas da Igreja, porque elas tem larga ligação com a tradição eclesial, e suficiente apoio nas Escrituras. Se houver, no futuro, algum ajustamento da “práxis” tradicional, quero que seja feito em conjunto, e em união com o Papa, para que as decisões  tenham o aval do Senhor: “Tudo o que ligardes na terra, será ligado nos céus” (Mt 18, 18). Quero caminhar com firmeza com toda a Igreja, até o término dos meus dias.



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