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Valor infinito.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Refletindo sobre a praxe milenar da Igreja, de celebrar constantemente a Eucaristia, fiquei buscando argumentos fáceis para a compreensão dos fiéis. Todos sabem que a missa não é a celebração de um novo sacrifício redentor, como se aquele que foi protagonizado por Cristo no Calvário, não tivesse alcançado efeito completo. A missa, todos os iniciados o sabem, é tornar atual, para o nosso tempo, aquele ato salvador derradeiro de Jesus na cruz.

Além do argumento histórico, pelo qual verificamos que a Igreja apostólica constantemente fazia a “fração do pão” (At 20, 7), e que as comunidades primitivas se reuniam para a celebração da Eucaristia (Santo Inácio de Antioquia, Santo Irineu...), não haveria algum outro motivo mais forte? De repente, como diz o povo, “caiu a ficha”. Os evangelhos sinóticos trazem a resposta.

Vi que esses evangelistas contam a “morte de Jesus na cruz” (Lc 23, 26), mas também narram os fatos lindos que ocorreram na “última ceia”. Portanto, Jesus celebrou duas vezes a nossa salvação: uma vez de modo cruento na cruz; e outra, antecipando o ato salvador, celebrou-a na última ceia, de modo incruento. E ademais, naquele momento sagrado, Jesus ordenou que fizéssemos a mesma coisa, “até que Ele venha” (1 Cor 11. 26).

Diante dessa iluminação sobreveio à minha mente, toda a riqueza desse rito central da comunidade cristã. Podemos participar dele, buscando as nossas intenções pessoais (são tantas), sem esquecer os frutos principais que se aplicam a toda a Igreja. Mas podemos buscar também – uma vez que o valor da missa é infinito – as intenções que chamamos especiais.

Isto é, pedimos que os frutos da missa sejam aplicados em intenções próprias, como pedir pela saúde da nossa família, pela salvação de um falecido...Para isso os fiéis oferecem ao sacerdote uma pequena espórtula em dinheiro, para que suas intenções sejam incluídas na oração eucarística. Esse costume milenar foi aprovada pelo Concílio (ver C.945 do Direito Canônico) e continua sendo amplamente usado nas igrejas da Alemanha, América do Norte, França e outros.

Se houver compreensão do nosso povo, os nossos queridos Padres podem servir melhor o povo. Eu sou testemunha ocular disso: 95% dos sacerdotes vivem espartanamente, e alguns até sobrevivem “a pão e água”. Se os fiéis contribuírem, com suas espórtulas generosas, introduzindo intenções especiais em cada missa, seria um grande benefício para todo o povo.



 
 
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