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Em busca do infinito.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nos intervalos do Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis, de 19 a 21 de maio corrente, aproveitei o tempo para ler “Cristo na Filosofia Contemporânea”, da Editora Paulus. Coincidiu de encontrar a linha de pensamento de Unamuno, que nunca sabia se era “cristão, agnóstico, luterano ou ateu”. Embora fosse um homem sincero, sua atitude “política” perante a verdade não chegava a bom termo jamais. É a pessoa que sempre queria saber o que existia depois do horizonte.

Todos os que tem convicções de fé, tem pela frente vacilações e assuntos mal estudados. Em certo momento, entretanto, quem busca a verdade, precisa dar um salto no escuro, e crer. Caso contrário vai adiando a adesão à Verdade ao infinito. É como diz o povo: “quem pensa muito não casa”. Também a Escritura ensina “Deus ama aquele que Nele confia” (Sl 40, 5).

Pois bem, esse mesmo Unamuno, dentro das limitações de sua “ensaboada” posição mental, produziu algumas páginas notáveis sobre a Eucaristia. Baseou-se, não nos ditames da fé, mas na lógica interna desse extraordinário sacramento. Chama a Eucaristia de “branco Cordeiro infinito”, além de muitas outras notáveis considerações.

Confesso que fiquei abismado com seus raciocínios. Eu, que desde menino de primeira Comunhão, só pensava no sublime sacramento, através dos textos bíblicos e dos ensinamentos de Santo Tomás de Aquino, senti-me sumamente enriquecido. Fiquei muito agradecido à Divina Providência por essa inesperada ilustração.

O 15º Congresso Eucarístico me deu oportunidade de celebrar a Eucaristia numa comunidade bastante afastada (geograficamente), na Ilha de Florianópolis. Foi uma experiência gratificante, entre tantas outras que já pude viver, fazendo as vezes de Cristo Sacerdote. Tive momentos de alegria com essa população, quase todos descendentes de Açorianos. A simplicidade de sua fé, e a firmeza de suas convicções, me levaram a pensar em tantas outras comunidades pelo Brasil a fora.

A sua aproximação quase física do Cristo (Ele está no meio de nós), como “pão sagrado” que alimenta a fé, e fortalece os gestos de caridade em favor do próximo, é um fato que quase é possível apalpar com as mãos. Podemos estudar e amar esse mistério por 50 anos a fio, e não esgotar jamais essa invenção divina. Não poderemos esgotar, mas a nossa fé cresce cada vez mais, até chegarmos ao limiar do infinito. Nunca nos cansaremos, porque é ordem de Jesus que “anunciemos a morte do Senhor até que Ele venha”.



 
 
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