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Jejum
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Da mesma maneira que os profetas aconselhavam, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa em primeiro lugar às obras exteriores, mas à conversão de coração, à penitência interior. Sem ela, as obras de penitência continuam estéreis e enganadoras: a conversão interior, ao contrário, impele a expressar essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência.

A penitência interior do cristão pode ter expressões bem variadas. A Escritura e os padres insistem principalmente em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão com relação a si mesmo, a Deus e aos outros.

O quarto mandamento (“Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”) determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribui para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração.

O jejum na época de Jesus podia ser voluntário ou prescrito. Podia ser público por causa de alguma calamidade, conforme o profeta Joel, ou privado, acompanhando uma súplica pessoal. Para Isaías, o jejum consiste em libertar os prisioneiros, acabar com a opressão, partilhar nossos bens com os mais pobres e acolhê-los como irmãos. Isso exige de nós o jejum da auto-suficiência, do desejo de dominar e de acumular, que nos distancia do projeto de Deus, Jejum é a prática da justiça.

Sendo assim, há várias maneiras de praticar o jejum. A nossa consciência vai nos mostrar a forma que precisamos usar. Muitas vezes, quando evitamos que nossas palavras possam ofender o irmão, estamos jejuando.

Usando a nossa força espiritual, que nos vem do Senhor, podemos contrariar os nossos instintos, educar a nossa mente, fazendo um sacrifício que se torna libertação.

 
 
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