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Nova ESTRELA brilhou: Deus está manifestado!
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Eis que hoje nos deparamos com a festa da Epifania do Senhor. Em si, a palavra epifania vem do grego e quer dizer manifestação, ou seja, é a manifestação de Deus entre nós, a partir do Cristo, rosto divino do homem, face humana de Deus. Deixe-se iluminar porque a tua luz chegou! Daqui em diante a escuridão provocada pela solidão humana deve ser iluminada com a Luz da Glória de Deus. A Epifania não é o tempo de retirar o presépio de casa, pelo contrário, é o dia em que nós, com a Virgem Maria, São Jose, os reis magos e as criaturas, temos também que ajoelharmos e adorar ao Deus que se fez carne por nós. Hoje é o dia dos presentes, não no dia 25, no Natal. Eis a minha preocupação: o Natal é de Cristo ou do papai Noel?

Na cultura helenista o termo epifania era também empregado quando se tratava da visita de algum imperador ou rei vindo de outra pátria. Já os evangelistas a utilizaram para mostrar o verdadeiro Rei do universo que se manifesta. O mesmo é lembrado na teologia paulina. Alguns acentos messiânicos devem ser reconhecidos, como por exemplo a estrela da Davi (terra onde Jesus nasceu) com seis pontas e doze lados, portanto.

Nessa epifania, o que desejo destacar são alguns pontos essenciais para nossa caminhada nessa semana que se inicia. O evangelista Mateus nos relata fatos que parecem serem desnecessários, mas quando olhamos com os olhos do Espírito Santo vemos a certeza das coisas e dos acontecimentos que desde o Primeiro Testamento chegam até nós como sinal do dedo de Deus; para assim como a estrela que guiou os reis magos, também irmos ao encontro do Menino Salvador.

Diz-se que os magos eram naturais do extremo oriente médio, e que também ainda eram astrólogos. Ora, eles passavam grande parte do tempo observando as estrelas, os planetas e tudo quanto estava relacionado à função deles, pois, ali tinham sinais contidos e como também eram conhecedores da Escritura, certamente perceberam os sinais do Tempo. Fora visto por eles uma estrela, não uma estrela qualquer, pois o brilho que irradiava daquela estrela fugia do brilho das demais e é interessante notar que aquela estrela parecia que estava sendo guiada por Deus, sim, guiada por deus, mas o Deus menino, que em algum lugar, ali da cidadezinha de Belém, tinha nascido.

Notem que o tempo inteiro a estrela conduziu os reis magos, mas isso enquanto eles se deixaram guiar por Deus, pois quando chegaram a Jerusalém, eis que a estrela perdeu o seu brilho e apagou-se, é como que se quisesse dizer que enquanto estivessem com os olhos fitos naquele sinal de Deus, Deus os conduziria ao local da alegria, a Belém. Eles chegaram a Jerusalém, e naquele tempo quem estava como rei era o Malfeitor e algoz, Herodes. Ora, Caríssimos, sabe-se que a repercussão do nascimento do Messias foi tida como boa para alguns, pois eram estes que aguardavam a libertação através do Messias; mas também desagradava a muitos, e Herodes era um deles, pois ele imaginava que o Rei dos Judeus iria nascer e ocupar o seu lugar no trono; também foi essa a visão dos magos, pois tanto é que eles foram ao palácio real para se certificar se lá estava nascido o novo rei.

Os Salmos, de forma precisa o salmo 77, o profeta Isaias no capítulo 60 (midraxe judaico) e o profeta Miquéias aludiram a esses acontecimentos. Ora, quando Herodes perguntou onde o novo rei nasceria, os magos perceberam que aquele não seria o local da vinda e nascimento do Messias, e saíram do palácio real e foram andando, conforme andavam o sinal de Deus, a estrela, lhes aparecera e de novo o Menino-Deus nascido ali na manjedoura, os convocava para fazer-lhes sua adoração; e assim se deu, eis que caminharam e chegaram a pequena cidade de Belém da Judéia, cidade esquecida e marginalizada, mas nem por isso a menor em significância, pois foi de lá que para o mundo partiu a salvação a qual todos sucumbiam em buscá-la.

Irmãos, certamente o Menino nascido já estava numa casa, mas notemos que o Evangelista não nos diz que José, o esposa da Virgem, estava com Ela; ora, isso nos faz entendermos o que Deus quis transmitir, pois a concepção da Virgem se deu de forma divinal, pela sombra e ação do Espírito Santo, pois Jesus Cristo e Virgem, na verdade estão um dentro do outro, pois onde o Cristo está a Virgem também se faz presente. Notem que desde o nascimento aos momentos mais significativos da vida de Cristo e culminando com a morte Dele. A nossa mãe, a Virgem Maria esteve presente, ali ao lado do Pé da Cruz.

Pois bem, eis que chegando lá, os magos O adoraram e lho ofertaram seus presentes: ouro, incenso e mirra. Estas ofertas nos dizem muito. É o reconhecimento da humanidade diante Daquele que está ali diante dos seus olhos: é Deus, não é apenas uma criança, mas é o Filho de Deus, é a Graça maior que todos esperaram desde muito, promessa esta vinda de Deus a nós desde o nosso pai na fé, Abraão.

Com o ouro eles reconhecem a realeza de um rei, eis o nosso Rei, o Rei do mundo, o Príncipe da Paz; Incenso: eis a divindade das divindades; é aos pés dessa divindade que todas as outras se rebaixam, pois como professamos no credo:”... Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro...”; por fim, a Mirra: esse elemento era usado naquela época, em que os corpos eram embalsamados, pois o doce odor exalado pela mirra, alude sofrimento, mas também reprime o odor da morte, elemento este que nos acompanha desde os nossos primeiros pais, Adão e Eva; a mirra nos afirma, Ele, o menino-Deus. Ali, tão frágil, sofrerá horrendos ultrajes para redimir-nos.

E por fim, desta leitura que o evangelista Mateus nos concede, devemos notar outro fator significativo! Quando os reis tiveram com o Rei Herodes, o rei disse que eles fossem ao encontro do Menino e que quando O encontrasse, que voltassem para avisá-lo para que também ele, Herodes, fosse prestar suas honrarias, ora, o desejo dele era sim a morte do Menino, tanto é que depois ele mesmo pediu para que matasse todas as crianças com até 2 anos de nascidas.

Porém Herodes, os sacerdotes e doutores da lei não conseguiam ver a luz da “estrela”, pois estavam pensando que fossem a própria luz. Eles estavam obcecados pelo poder. Já Jesus representa a marca do não-poder. Jesus não precisa temer e ao redor dele chegam os reis que vêm de longe, de outros povos. Trata-se de um universalismo que mostra que Jesus veio para todos. Mas estou falando isso, por que os três reis magos, Baltazar, Belchior e Gaspar, também nos ensinaram outra coisa: Olhem o que São Mateus nos diz no final da leitura... pois é, “e eles voltaram para seu país por outro caminho...” Irmãos, o que Deus deseja dizer aqui é que não há mais a possibilidade de nos encontrando com Cristo, voltarmos pelo mesmo caminho; nós devemos sim voltarmos para nossas casas, nossas famílias, mas também devemos voltar por outro caminho, o Caminho que é Deus, e que a estrela que brilhou nos céus, naquela noite, quando a criança nasceu para o mundo e que os reis magos avistaram. Assim, avistar esta luz exige de nós renovação em nosso engajamento cristão.

Hoje brilha para nós a Nova estrela da Evangelização, a Virgem Maria, ela que soube estar com o Filho desde o início ao fim, e como também é nossa Mãe, faz a mesma questão, guiar-nos até o Seu Filho, o Nosso Rei, o Rei ao Qual os reis se rebaixaram e ofertaram seus presentes.

A manifestação de Deus em Jesus é a mais pura manifestação do amor divino para com o ser humano. Ali se dá o encontro entre Deus e o homem. Qual estrela você está seguindo...? Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

 
 
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