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Transmissão da fé!
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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O orbi católico, com interesse, acompanha o desenrolar da XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que desde o último dia 07 de outubro, está reunido, sob a presidência do Santo Padre Bento XVI, em Roma, que tem como tema: A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã.

É bonito observar, pelos boletins repassados pela Sala de Imprensa e pela Rádio Vaticana, da abertura do Papa Bento XVI que, com grande humildade, acompanha todos os trabalhos do Sínodo e ouve, escuta, com grande interesse, as intervenções dos padres sinodais. Cada padre sinodal, eleito pelas Conferências Episcopais ou nomeados pelo Santo Padre, tem o direito de expor, livremente, o seu pensamento, por cinco minutos.

O Sínodo dos Bispos tem sido uma ocasião especial de comunhão na Igreja. É bela a experiência de convivência e diálogo entre os bispos dos vários continentes e, de modo especial, a presença do Santo Padre, o Papa. A participação assídua e diária do Papa Bento XVI, a sua sabedoria, simplicidade e cordial atenção têm encantado a todos. O Sínodo representa um dos frutos preciosos do Concílio Vaticano II, promovendo a unidade e a corresponsabilidade na Igreja. Trata-se de um exercício precioso de colegialidade episcopal. A participação de presbíteros, religiosos(as), diáconos e leigos(as) amplia e fortalece a comunhão eclesial. A busca da unidade entre todos os que creem em Cristo tem sido bem manifestada através da participação de "delegados fraternos", representantes de outras Igrejas cristãs. Um belo e salutar testemunho de fidelidade ao Espírito Santo, que ilumina, fortalece, guia e renova a missão da Igreja no ato de falar, ouvir, refletir e transmitir a fé recebida no Santo Batismo. Todos eles tem tido oportunidade de falar à Assembléia Sinodal, demonstrando também o desejo de unidade e a urgência da(nova)evangelização no mundo de hoje.

O Papa Bento XVI, disse com cúria: "O olhar sobre o ideal da vida cristã, expressado na chamada à santidade, nos encoraja a ver com humildade a fragilidade de muitos cristãos, antes, o seu pecado, pessoal e comunitário, que se apresenta como um grande obstáculo para a evangelização; e nos encoraja a reconhecer a força de Deus que, na fé, vem ao encontro da fraqueza humana. Portanto, não se pode falar da nova evangelização sem uma disposição sincera de conversão. Deixar-se reconciliar com Deus e com o próximo (cf. 2 Cor 5,20) é a via mestra da nova evangelização. Só purificados, os cristãos podem encontrar o legítimo orgulho da sua dignidade de filhos de Deus, criados à Sua imagem e redimidos pelo sangue precioso de Jesus Cristo, e podem experimentar a sua alegria, para compartilhá-la com todos, com os de perto e os de longe" (cf. homilia da Missa de Abertura do Sínodo dos Bispos, 07 de outubro de 2012).

Recordou-nos o arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio, que a Nova Evangelização deve levar as pessoas à experiência profunda do encontro com Jesus Cristo vivo e,que a Sagrada Liturgia é um dos lugares privilegiados para este encontro. Com base nos documentos conciliares, afirmou que a liturgia é fonte e lugar de evangelização, pois nela Deus fala a seu povo e Cristo anuncia seu Evangelho. Por isso, sem sombra de dúvida, uma das questões fundamentais para que possamos neste momento rever em nosso trabalho evangelizador é a transmissão da fé. Como os pais e padrinhos de batismo tem transmitido a fé aos seus filhos e batizados? Não há mais tempo para uma pastoral de manutenção, mas sim de evangelização, particularmente, dos que estão afastados.

Nesta liberdade imensa que o Papa dá aos padres sinodais de dizerem o que precisa ser modificado na transmissão da fé, não podemos esperar uma Igreja que seja apenas clericalizada, mas uma vivência da fé, na Igreja e para a Igreja, aonde todos, particularmente as instâncias laicas, possam ser ouvidos e sejam protagonistas do anúncio do Reino de Deus, Reino de Justiça e de Paz!

 
 
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