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Escolher a Cristo
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Jesus frustrou as expectativas de muita gente. Depois de terem visto o sinal que Ele realizou, as pessoas disseram: ”Este é mesmo o Profeta que devia vir ao mundo” e quiseram pegá-lo para fazê-lo rei, mas Jesus fugiu sozinho para as montanhas.

Depois desse episódio, o Evangelho de João apresenta um longo discurso de Jesus, com o objetivo de desfazer mal-entendidos. Sua fala, em resumo, consiste em: na pessoa de Jesus, Deus oferece à humanidade um pão que sustenta para sempre. Esse pão é a pessoa de Jesus, o maior presente que o Pai fez ao mundo.

Quem recebe esse pão e o assimila (Eucaristia), descobre que Deus lhe confia uma tarefa, que é a adesão a Jesus, tornando-se, também, pão partilhado para a vida de todos. Não há meio termo: quem recebe Jesus como pão não pode eximir-se da responsabilidade de ser, como Ele, pão para a vida dos outros. A Eucaristia e a encarnação põem as pessoas diante de uma decisão. E aqui surgem muitas crises e abandonos.

João nos informa que muitos dos discípulos de Jesus se escandalizaram e ele fala justamente de discípulos. O texto reflete a situação da comunidade de João no final do primeiro século. Nessa comunidade, já não se acreditava mais que a Eucaristia - encarnação de Jesus em nossa realidade – supõe e exige que nos tornemos pão para os outros.

Jesus decepcionou muita gente, pois Ele não procurou a glória das pessoas (recusa-se a ser rei), nem prometeu glória a quem pretende segui-lo. A realeza de Jesus consiste em doar-se até esgotar a própria vida. Em outras palavras, é preciso que nos doemos aos nossos irmãos, à semelhança do Filho do Homem, que se fez pão.

Sabemos que o pão não tem fim em si mesmo. Ele existe para ser consumido, para devolver vida a quem esteja com fome. Assim é Jesus. Assim deverão ser seus seguidores.
O Espírito é força que animou Jesus na tarefa de ser pão para a vida do mundo. Ele é a força do amor. Os que amam sabem que a vida não tem sentido se não se traduzir em pão, isto é, em dom a ser partilhado com os outros: ”É o Espírito que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida”.

O ser humano sozinho não compreende e não consegue ser pão para os outros, pois, em geral, as pessoas buscam, sim, a vida, mas na maioria das vezes, procuram a vida somente para si. O Espírito de Jesus, ao contrário, mostra que a vida é para ser partilhada e a morte pode se tornar a maior expressão de amor. Jesus e o Espírito não dispensam as pessoas de amar até a doação da vida.

Ele afirma: “Ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai. Através do Evangelho, ficamos sabendo que o Pai entregou tudo a Jesus e que é por meio de Jesus que o Pai atrai a si as pessoas. Para aderir ao Pai, as pessoas precisam se aproximar de Jesus. É por isso que, mais adiante, Ele se define como o Caminho. Jesus é o Caminho para a vida que o Pai quer para todos. Não há outra alternativa: ou fazemos como Jesus e assim chegamos ao Pai da vida, ou abandonamos Jesus e nos comprometemos com o projeto de morte. É por isso que a palavra de Jesus é dura e muitos discípulos voltam atrás.

Mas cada um de nós deve seguir e exemplo de Pedro. Não temos a quem ir. Só Cristo tem palavras de vida eterna.


 
 
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