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A lei, sinal da aliança
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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O decálogo privilegia a vida, propondo-a como valor ímpar. Alguns estudiosos afirmam que o eixo das dez palavras é o versículo 13 de Êxodo 20: “Não matarás”. A vida, portanto, é o núcleo da constituição do povo de Deus. Ao preservar ou promover a vida, Israel está sendo fiel ao Deus da Aliança, que o libertou da escravidão do Egito.

O versículo 2 funciona como introdução. Ele recorda quem é Deus. É aquele que ouve os clamores do povo e o liberta. É o Deus do povo que clama. O Egito é símbolo de todas as opressões infligidas às pessoas. Sendo aquele que preserva e promove a vida, Deus se alia aos que sofrem, libertando-os de todos os “lugares de escravidão”.

O primeiro mandamento proíbe a idolatria. O verdadeiro culto que se presta ao Deus vivo e verdadeiro é a defesa e promoção da vida.

O segundo mandamento proíbe pronunciar o nome de Deus em vão. O Deus da vida e da liberdade não pode ser usado para acobertar a morte e a escravidão.

O terceiro mandamento diz respeito ao sábado. O descanso no sábado permite que a pessoa se sinta viva e livre e tome consciência de todos os aspectos que envolvem sua vida (trabalho, lazer, fruição da vida).

O quarto mandamento manda honrar pai e mãe, a fonte da vida. O Deus que preserva e promove a vida manda honrar os pais, pois foi a partir deles que a vida de cada pessoa começou a existir.

O quinto mandamento é o eixo do decálogo Ele se opõe ao sistema social que vigorava no Egito, o lugar da escravidão. Israel, que representa rodos nós, cristãos, para ser fiel a Deus, deverá por a vida como valor absoluto.

O sexto mandamento focaliza a preservação e promoção da vida na família. O adultério destrói a relação familiar.

O sétimo mandamento ordena: “Não roubarás”. O verbo roubar, neste caso, está relacionado com escravidão e privação da liberdade de alguém. Não se trata simplesmente de tirar algum objeto que pertence a outra pessoa. A questão é mais profunda. Trata-se de não escravizar as pessoas.

O oitavo mandamento diz respeito à vida a ser preservada e promovida através de julgamentos e sentenças justas. Se os pobres e os fracos não encontram quem lhes faça justiça, a sociedade se torna um novo Egito, cheia de clamores e opressões, pois a impunidade da injustiça é a pior escola numa sociedade corrupta.

Os dois últimos mandamentos proíbem a cobiça (casa, mulher, escravo, boi, jumento), fonte e origem de toda injustiça social, pois o desejo do acúmulo é o pai de todos os males. Para construir uma sociedade alternativa, nós precisamos aprender a justiça e a partilha.

As “dez palavras” do Decálogo resumem e proclamam a Lei de Deus: “Estas palavras dirigiu-as o Senhor a toda a vossa assembléia sobre a montanha, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, com voz forte, sem acrescentar mais nada: escreveu-as em duas tábuas de pedra e entregou-mas” (Dt 5,22). Por isso é que estas duas tábuas são chamadas “o testemunho” (Ex 25, 16). De fato, elas contêm as cláusulas da aliança concluída entre Deus e o seu povo. Que todos nós possamos viver a lei maior: a do amor, a da acolhida do diferente, a da misericórdia e da fidelidade a Deus, o Senhor da Vida e da História.



 
 
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