Colunas
 
Irmã Mazarello, SDN
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
Leia os outros artigos
 

Na última semana que estive em Boa Esperança, tive a graça de gravar uma série de programas acerca da face de nossa fé católica, entrevistando a Irmã MARIA MAZARELLO, SDN. O objetivo era que ela nos explicasse como surgiu a Congregação das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, como era o Padre Júlio Maria de Lombarde e a Madre Maria Beatriz, fundadores daquela família religiosa, sobre o Colégio Padre Júlio Maria e como está a ação pastoral e educativa de sua Congregação.

Ficamos uma manhã inteira, andando pelo colégio, gravando, conversando, regravando... Irmã Mazarello, com uma desenvoltura jovial, conduziu tudo dentro da maior tranqüilidade e com grande entusiasmo. Tive a alegria de celebrar na capela do Colégio, no dia 29 de abril. Uma missa estava marcada para a manhã do dia 30 de abril, às 7hs, mas, na noite anterior, Irmã Mazarello pediu-me para adiar a celebração, porque a Irmã Consuelo, que também participara da Eucaristia conosco naquele dia, acabara de ser internada na Santa Casa, com problemas de saúde.

No dia seguinte, fui imediatamente à Santa Casa visitar Irmã Consuelo, que estava acompanhada pela Irmã Mazarello, com sua saúde inabalável e sua elegância peculiar. Tivemos, depois, a alegria de gravar. No sábado, minha mãe e minha irmã passaram grande parte da manhã visitando as religiosas em sua residência.

Sábado, dia 2 de maio, Irmã Mazarello me telefona, pedindo para eu celebrar, no dia seguinte, para elas, na capela da nova casa religiosa. Na manhã daquele domingo, participamos de uma celebração muito familiar, com gosto de “quero mais”, num ambiente de profunda sintonia espiritual. Uma outra missa já ficou marcada para o dia 24 de maio.

Mas, no sábado, dia 9 de maio, fui surpreendido por um telefonema da Cidinha Rezende, comunicando-me que a Irmã Maria Mazarello fizera sua Páscoa definitiva. Morreu como morrem os santos: na serenidade de quem cumpriu o seu dever e agora contempla o Pai Eterno como Ele realmente o é, na plenitude. Fiquei muito impressionado. Estava saindo do Santuário Nacional, quando retornei e agradeci a Nossa Senhora Aparecida pela religiosa exemplar, mãe espiritual de muitas gerações de conterrâneos dorenses, que agora no Céu constituía-se nossa intercessora junto de Deus.

Neste momento da Páscoa definitiva de Irmã Mazarello, faz eco um elogio à vida religiosa, buscando a inspiração no Santo Padre Bento XVI, que em 2 de fevereiro de 2008, no XII Dia da Vida Consagrada, ofereceu-nos uma página esplêndida que se adapta perfeitamente no testemunho deixado pela coerência de vida dessa virtuosa religiosa: “Esta riquíssima tradição dá testemunho de que a vida consagrada está ‘profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor’ (Vita consecrata,1), e assemelha-se ‘a uma planta com muitos ramos, que assenta as suas raízes no Evangelho e produz frutos abundantes em cada estação da Igreja’ (Ibid.,5). A sua missão consiste em recordar que todos os cristãos são convocados pela Palavra, para viverem da Palavra e permanecerem sob o seu predomínio. Portanto, compete de modo particular aos religiosos e às religiosas ‘manter viva nos batizados a consciência dos valores fundamentais do Evangelho’ (Ibid.,33). Agindo desta maneira, o seu testemunho infunde na Igreja ‘um impulso precioso em ordem a uma coerência evangélica cada vez maior (Ibid.,3) e, aliás, poderíamos dizer, constitui uma ‘persuasiva pregação, ainda que muitas vezes silenciosa, do Evangelho’ (Ibid.,25). Por isso, nas minhas duas Cartas Encíclicas, assim como noutras ocasiões, não deixei de indicar o exemplo de Santos e de Beatos pertencentes a Institutos de vida consagrada. Estimados irmãos e irmãs, alimentai os vossos dias com a oração, a meditação e a escuta da Palavra de Deus. Vós, que tendes familiaridade com a antiga prática da lectio divina, ajudai também os fiéis a valorizá-la na sua existência quotidiana. E aprendei a traduzir em testemunho aquilo que é indicado pela Palavra, deixando-vos plasmar por ela que, como semente que cai no terreno fértil, produz frutos abundantes. Deste modo, sereis sempre dóceis ao Espírito e crescereis na união com Deus, cultivareis a comunhão fraterna entre vós mesmos e estareis prontos a servir generosamente os irmãos, sobretudo aqueles que se encontram em maior necessidade. Que os homens possam ver as vossas boas obras, fruto da Palavra de Deus que vive em vós, e dêem assim glória ao vosso Pai celestial (Mt 5, 16)!”

Na esteira de Bento XVI, posso afirmar que Irmã Mazarello, SDN, viveu da Palavra de Deus, dando ao mundo o testemunho do Ressuscitado. Posso dar um testemunho que muito me edifica: a minha convivência com essa já saudosa religiosa ajudava-me a procurar cada vez mais a santidade.

Irmã Mazarello fará falta. Era dessas pessoas especiais, únicas, de bem com a vida, que respira a vontade de Deus. Nossos últimos encontros parecem-me ter sido de despedida. Uma despedida merecida. Na semana em que Irmã Mazarello apresentou sua família religiosa ao Brasil, pela Rede Vida, ela foi convocada, de maneira edificante, a se apresentar junto de Deus.

Obrigado, Irmã Mazarello, pela sua vida religiosa, pelo seu testemunho, pelo seu sorriso, pela sua fé, pela sua serenidade. Digo-lhe: até breve, e continue a nos inspirar-nos com sua espiritualidade mariana e eucarística.

Descanse em Paz!



 
 
xm732