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Cristo, luz para nossas trevas
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Encontramos no episódio da cura do cego(Jo 9,1-41), dois processos. Primeiro, a progressiva “iluminação” do cego, cada vez mais penetrante em sua visão sobrenatural. Jesus manda o cego lavar-se em uma piscina chamada Siloé, que significa “Enviado”. “Enviado”, segundo o próprio evangelista, é o apelido legítimo de Jesus. Esse fato aponta para um dos sentidos mais profundos da passagem: quem mergulha no “Enviado” recupera a visão. Essa visão não é somente física, mas também espiritual. Quem mergulha em Cristo, o “Enviado”, renasce para uma vida nova.

Como a samaritana, gradualmente o cego vai crescendo no conhecimento de Jesus de um “homem” chamado Jesus, progrediu para o discernimento mais profundo do seu caráter como profeta, “um homem de Deus”, como o “Filho do homem” que veio do céu, até culminar na profissão de fé de que Jesus é o “Senhor”. Na experiência do cego, essa evolução coincide com o processo de iniciação no caminho de Jesus. São passos do catecúmeno em direção à fé.

O segundo processo é a progressiva cegueira das autoridades, que insistem em não compreender e em não ver. Os que têm a certeza de que enxergam são, na verdade, cegos, e o são por escolha própria.
O que nasce cego arrisca-se diante da ação e da ordem de Jesus e começa a ver. Ele passa da cegueira à visão e dela ao discernimento. O processo da "iluminação" do cego e da "cegueira" das autoridades reflete a polêmica histórica entre judaísmo e cristianismo. Os judeus haviam decidido expulsar da sinagoga todos aqueles que confessassem que Jesus é o Cristo. O evangelista inclui este capítulo em seu evangelho para encorajar os seguidores de Jesus.

Hoje, em outras circunstâncias históricas, o relato não perde seu valor revelador. Na Igreja primitiva, o Batismo era conhecido como “iluminação”. A cura do cego tornou-se uma parábola da iluminação batismal. O batizado é um iluminado que tem os olhos abertos por Cristo no banho em seu nome.

A imagem de Deus como luz sempre esteve presente na vida do povo. No Antigo testamento, Deus sempre caminhou à frente do grupo que escolhera. A coluna de fogo ia iluminando os passos dos hebreus no deserto. Os profetas sempre apontavam um caminho cheio de luz para um povo que andava nas trevas.

Neste domingo “Laetare” tenhamos a graça de nos iluminarmos da luz de Cristo! Todos nós devemos nos colocar no caminho da passagem das trevas para a luz, fazendo-nos catecúmenos, deixando-nos iluminar pelo Cristo e por seu Espírito, retomando o propósito da conversão e do amor concreto como exigência batismal.



 
 
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