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Tempo do Advento
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Um mensageiro faz ressoar no deserto: Preparei o caminho do Senhor, retificai suas estradas” (Mt 3, 3 – Pregação de João Batista).

O advento é isso, tempo de espera, tempo de preparação, tempo de retificação das estradas do Senhor, isto é, tempo de retificação de nossas rotas, de nossos corações na espera da vinda do Senhor.

Bem, é isso que a Igreja há muitos milênios orienta todo mundo cristão para preparar a memória histórica do nascimento de Jesus Cristo.

Essa é uma mensagem, vamos dizer imediata, sempre reiterada neste tempo lindo do Natal, onde as famílias se reúnem jubilosamente e em torno da mesa, trocam presentes, festejam o grande acontecimento: Deus, sob a forma de uma terna criança veio trazer paz, alegria, felicidade.

Tempos messiânicos, no qual o profeta Isaías, alegoricamente, o descreve como um tempo da convivência do leão com o touro, do urso com o bezerro, significando, um tempo de paz.

Bem, fazer a memória do Cristo que veio no Natal é muito agradável, nos dá muita paz, pois, afinal, o NATAL é ternura, aconchego, tempo de encontros, de perdão, de alegria.

Entretanto, Jesus é o que veio, mas é também aquele que vem vindo ou aquele que virá se nós lhe dermos nascimento no mundo de hoje.

A pessoa de Cristo é um mistério inescrutável, sempre temos algo novo a descobrir em sua pessoa e sempre temos uma nova face dele a dar nascimento para o mundo de hoje.

Nos primeiros séculos do cristianismo, quando os efeitos da gnose era devastador, os cristãos contemplaram-no como Mestre.

Depois, Cristo foi contemplado como Majestoso.

A idade média o contemplou como o homem das dores e na Reforma Protestante, Ele foi apresentado como Cristo Salvador.

Na época em que o absolutismo da realeza era imposta aos súditos, Cristo é contemplado como Rei supremo da humanidade.

Bem, e agora, que faceta do Cristo o cristão de hoje deve contemplar e ser um arauto de uma NOVA EVANGELIZAÇÃO.

O mundo hodierno, envolvido com os princípios do pós- modernismo,é uma civilização que se prima pela negação ou ausência de Deus e como conseqüência o homem é o centro de toda filosofia.

Em sendo o homem o centro de tudo, é uma sociedade que se dá primazia ao ego, é um mundo em que falta solidariedade, ética, onde nada é proibido. Onde se pode dar rédeas soltas a todos os instintos, buscando-se sempre o desfrute da vida, a qualquer preço, não se dando importância ao outro ser humano.

Assim, facilmente, se percebe que um mundo sem Deus acaba por ser um mundo contra a humanidade, império do homem lobo do homem.

A solução é mudar o rumo de tudo, é dar uma reviravolta completa nas leis do coração, convertendo as forças destruidoras dos instintos em forças para construção da civilidade do amor.

E para isso devemos voltar nossos olhares para o Cristo solidariedade, para o Cristo amor ou o Cristo que veio para dar primado à solidariedade, à inclusão do pobre e marginalizado numa nova sociedade, onde a justiça leve à paz.

Cristo Jesus, sendo de condição divina, não arrogou ser como Deus, mas pobremente, se fez um como nós e suportou todas as desventuras dessa condição e morreu como um criminoso de uma morte cruel, a morte de cruz.

Através de sua pobreza, de nada possuir para si, Cristo se levanta hoje, como um farol para o mundo, no qual o acesso aos bens, o consumismo, o hedonismo, a busca do bem estar a qualquer preço é o que se diz e se procura, para dizer a todos, que a vida só trará a felicidade buscada, quando o amor, à solidariedade, estiverem na consciência de todos.

Assim, onde faltar o amor, temos Cristo, mestre de doação, da solidariedade, da fraternidade, da busca continua do bem do outro, sem nada querer para si, a não ser a gloria de Deus, nosso Pai.

É Ele, somente Ele, que pode pela revolução do amor, rebentar de vez essa filosofia nefasta do império do egoísmo e converter as forças do instinto, em energias de fraternidade, de solidariedade, de convivência pacífica, de tempo de ternura e de paz.

Nós, pois, temos uma missão muito comprometedora, gestar o Cristo, pobre e humilde em nosso coração e darmos um novo nascimento desse Cristo para o mundo de hoje.

Assim, levantamos o grito dos primeiros séculos do cristianismo, MARANATHA, vem Senhor Jesus, vem e traga a paz para nós e nós a levaremos ao mundo de hoje, que tanto precisa dessa sua nova vinda.

Quero terminar com a mensagem de Frei Inácio Larrañaga, o criador das oficinas de oração e vida, ao completar 50 anos de sua ordenação sacerdotal e que, com respeito devido a ele, aplicamos a todos os cristãos e esta é nossa mensagem de Natal:

Meus filhos saiam ao mundo com as tochas nas mãos.
Pendurem lâmpadas nos muros das noites.
Onde haja fogueiras ponham mananciais.
Onde se forjam espadas plantem roseiras.
Transformem em jardins os campos de batalha.
Abram sulcos e semeiem o amor.
Plantem bandeiras de liberdade na pátria da pobreza.
E anunciem que logo chega a hora do Amor, da alegria e da PAZ.


Belo Horizonte, 09 de dezembro de 2010.
LUIZ AIRTON DE CARVALHO – ADVOGADO CRISTÃO.
PADRE WAGNER AUGOSTO PORTUGAL – SACERDOTE.



 
 
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