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Vivendo o Advento
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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O Advento não é expectativa, mas sim é a viva e doce esperança. A expectativa pode dispensar a nossa colaboração, mas a esperança nos convoca a entrar na roda, pois a esperança bíblica e do Advento se faz com as mãos, os pés, o coração...

O melhor modo de vivenciar essa espiritualidade é olhar para uma mulher grávida: todo o seu ser vai se transformando em vista da esperança que carrega. A própria família de uma grávida vive um autêntico clima novo por causa do ser que palpita e vai nascer. Isso é o lídimo espírito do tempo litúrgico do Advento que iniciamos agora com a abertura de um novo ano litúrgico, chamado de ano litúrgico A, em que se medita as páginas do Evangelho de São Mateus.

Três personagens são importantes para anunciar e nos ajudar a viver a esperança do Advento. A primeira personagem bíblica que, segundo estudiosos representa três profetas de mesma denominação é Isaias. A segunda personagem bíblica é Joao Batista, “profeta do Altíssimo”, que preparou os caminhos do Senhor. A terceira personagem é a Bem Aventurada Virgem Maria, que, ao dar o seu “sim” incondicional a Deus, nos trouxe o Messias.

O mistério e o encantamento do Advento aconteceram com Maria, portadora da esperança da humanidade, corpo que Deus escolheu para que seu Filho realizasse o sonho de ser a nossa imagem e semelhança. Mas isso não basta. Maria, como diz o poeta, não esperou acontecer; pelo contrário, soube fazer a hora. Ela é a melhor expressão da espiritualidade do tempo do Advento. Declarando-se serva do Senhor, não encontrou melhor forma de expressar isso senão indo depressa à serra da Judéia para servir sua prima. Lá se pôs a fazer as coisas que fazia toda dona de casa do seu tempo. Os atos podiam ser simples, mas o modo como a mãe do Filho de Deus agia em preparação ao nascimento de Jesus é insuperável.

Este tempo de espera magnífica de Deus Menino nos convida a parar em silêncio para compreender uma presença. É um convite a entender que cada evento do dia são sinais que Deus dirige a nós, prova da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quão freqüentemente Deus nos faz perceber algo de seu amor! Manter, por assim dizer, uma agenda deste amor seria uma bonita e salutar tarefa para a nossa vida! O Advento nos convida e nos impulsiona à contemplação do Senhor presente. A certeza de sua presença não deveria nos ajudar a ver o mundo com olhos diferentes? Não deveria nos ajudar a considerar toda a nossa existência como “visita”, como um modo no qual Ele pode vir a nós e nos tornar mais próximos, em cada situação?

O Advento nos conclama e nos convida a compreender o sentido do tempo e da história como “kairós”, como ocasião favorável à nossa salvação. Jesus no relato dos servos nos adverte para sermos convidados a esperar o retorno do patrão; na parábola das virgens para esperar o retorno do esposo; ou ainda nos relatos sobre a semeadura e colheita. O homem e a mulher, em sua vida cotidiana, estão em constante espera: quando é criança, quer crescer; quando adulto busca a realização e o sucesso; com o passar dos anos, aspira ao merecido repouso. Mas chega o tempo no qual ele descobre que esperou pouco se, independente da profissão ou do status social, não lhe resta mais nada para esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para nós, batizados e crismados, esta é animada por uma certeza: o Senhor está presente no correr da nossa vida, nos acompanha e um dia enxugará também as nossas lágrimas. Um dia, não distante, tudo encontrará seu cumprimento no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz.

O Advento nos aponta para o Natal. A Solenidade do Natal é a vida que nasce, e festa da vida, festa da família. Deus se fez como nos para convidar-nos a valorizar o dom da vida. No Cicio do Natal, saudamos a Mãe, fonte da vida do Salvador, e nos unimos a toda à humanidade para reverenciar aquele pelo qual todas as coisas foram feitas e que, na plenitude dos tempos se fez um de nos, Deus-conosco.

Bom Advento!



 
 
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