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O trabalho
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Você comerá seu pão com o suor de seu rosto.” (Gênesis 3,19).

O capítulo 3 do livro inaugural do Gênesis, todo ele, procura explicar a origem do mal. O centro dessa questão é a pretensão do homem e da mulher de ser como Deus, usurpando o lugar do Deus verdadeiro para tornar-se auto-suficiente, isto é, um falso “deus”. A auto-suficiência é a mãe de todos os outros males, que são apenas conseqüência dela. Deus é o Senhor Absoluto e seu projeto é vida e liberdade para todos, no clima de fraternidade e partilha. Quando o homem se torna auto-suficiente, se rebela contra o projeto de Deus e faz o seu próprio projeto: liberdade e vida só para si mesmo.

Deus se decepciona com a sua criatura, que foi tentada pelo mal. E o castigo que lhe dá é que ele deverá trabalhar para se sustentar.

Como Deus é amoroso! É bom trabalhar. É bom conquistar as coisas através de nosso esforço.

As pessoas que se aposentam já estão cansadas da rotina de seu trabalho, mas sentem falta de um ofício, de uma ocupação. O aposentado se não trabalha, senti-se inútil. Assim, o que se pensava ser castigo, é uma dádiva da misericórdia de Deus.

É certo que há pessoas que trabalham de sol a sol e não conseguem, com a remuneração, sustentar a família. Mas isto é conseqüência de injustiça social, da ganância de uns que sacrificam outros.

Quando Deus nos deu a obrigação de trabalhar, planejou a existência de trabalho e justiça para todos de tal maneira que o dia do trabalho não deveria ser um dia para revoltas, mas, dentro do projeto de Deus, deveríamos festejar, neste dia, o trabalho que nos dignifica a todos, e a sociedade deveria optar por conseguir um trabalho de remuneração justa para todos e que todas as pessoas tenham a oportunidade de trabalhar, satisfeitas e alegres porque é através do trabalho que podemos servir a nossos irmãos.

O próprio Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, não desdenhou a qualificação de carpinteiro e não quis eximir-se da normal condição de cada homem. A eloquência da vida de Cristo é inequivocável:  Ele pertence ao "mundo do trabalho" e tem apreço e respeito pelo trabalho humano; pode-se dizer mais:  Ele encara com amor este trabalho, bem como as suas diversas expressões, vendo em cada uma delas uma linha particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai" (Laborem exercens, 26). Do Evangelho de Cristo provém o ensinamento dos Apóstolos e da Igreja; daí deriva uma verdadeira e própria espiritualidade cristã do trabalho, que encontrou uma sua expressão eminente na Constituição Gaudium et spes, do Concílio Ecumênico Vaticano II (cf. nn. 33-39 e 63-72).

Ao olharmos para a vida de São José Operário, um homem justo, que em tudo fez para cumprir o projeto de Deus lançamos uma prece de ação de graças por todos os nossos trabalhadores para que, agradecidos, louvem a Deus pelo seu trabalho e peçam as graças necessárias para ser no trabalho que desempenha, um operário do Senhor Jesus.

Que Deus nos ajude a atingir essa meta que Ele marcou para nós.



 
 
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