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Solidariedade na tragédia
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo fato de terem todas o mesmo Criador e de todas estarem ordenadas à sua glória. Graças à origem comum, o gênero humano forma uma unidade, pois Deus "de um só fez toda a raça humana." (cf. At 17,26)

Segundo o angélico Pontífice Pio XII, em sua encíclica Summi Pontificatus, “essa lei de solidariedade humana e de caridade, sem excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, nos garante que todos os homens são verdadeiramente irmãos”.

O nosso corpo, criado magnificamente por Deus, nos dá uma grande lição de solidariedade. Ninguém machuca a ponta de um dedo do pé sem que todo o corpo sinta a dor da ferida. E assim, qualquer parte do corpo influi no seu todo.

Somos Igreja, o corpo místico de Cristo e, se algum de nossos irmãos sofre, também sofremos. Se são felizes, ficamos felizes com eles.

Com o disse Thomas Merton, “homem algum é uma ilha”. Não somos isolados, somos um continente solidário.

A solidariedade se manifesta, antes de mais nada, na distribuição dos bens e na remuneração do trabalho. Supõe também o esforço em favor de uma ordem social mais justa, na qual as tensões possam ser mais bem resolvidas e os conflitos encontrem mais facilmente sua solução por consenso. A virtude da solidariedade vai além dos bens materiais. Como nos ensinou Cristo, “Buscai, em primeiro lugar, o Reino do Céu e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas”. (cf. Mt 6,36)

A solidariedade é uma virtude eminentemente cristã, que pratica a partilha dos bens espirituais mais ainda que dos materiais.

Com todas estas reflexões, se somos verdadeiramente cristãos, se temos fé, é forçoso que sejamos solidários com nossos irmãos vítimas de tragédias.

Aliás, é por falta de solidariedade que muitas tragédias acontecem. Se as autoridades e a sociedade em geral não tivessem permitido que toda uma população morasse em áreas de risco, como as encostas e outros terrenos que não são muito firmes, nada desta tragédia no Rio de Janeiro teria acontecido. O comodismo nos faz raciocinar que a culpa é da chuva torrencial, mas, se consultarmos verdadeiramente a nossa consciência, chegaremos à conclusão de que a tragédia foi causada por um “pecado social”, que poderia ser evitado.
Como podemos ficar insensíveis diante de tanta calamidade, de tanto desespero, de tanta tristeza?

Nosso Salvador e Redentor, Jesus nos exorta: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Diante do acontecido, o nosso dever de cristãos é envidar todos os esforços para minorar o sofrimento dessas pessoas, enviando ajuda material e nos unindo num movimento eficiente junto aos órgãos governamentais, a fim de que se construam moradias decentes e firmes, em locais seguros, onde elas possam se instalar. Isto ajudará esses nossos irmãos a superar a tragédia, acalmar as dores e partir para uma nova vida.

Que Deus nos encha de coragem e a eles de conforto espiritual e confiança na divina providência. Ele virá em nosso auxílio porque Ele nos criou, a todos para a felicidade.



 
 
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