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Páscoa e Semana da Pascoela
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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A solenidade da Páscoa é o centro da vida cristã. É a festa da vida, vida do Cristo ressuscitado e de todos os cristãos. Nesse dia, não celebramos a memória de um herói morto, mas a presença de um Vivo e Vivente Jesus de Nazaré, o Filho de Deus.

Temos, no relato do Santo Evangelho, dois episódios: no primeiro, Maria Madalena vai ao sepulcro, encontra-o vazio e relata a notícia da retirada do corpo de Jesus a Pedro e a João, o discípulo amado; no segundo, Pedro e João correm até o sepulcro e comprovam o fato.

Diante de tudo isto, vêm-nos à mente algumas reflexões: tanto Madalena como os dois discípulos ficam confusos, não compreendem o que acontecera, pois tudo parece ter acabado com a morte de Jesus.

Mas a vida renasce e não há mais morte.
Celebramos o ponto culminante de nossa vida cristã, pois Cristo ressuscitou e a sua ressurreição é o resgate de todo ser humano a uma ordem de relação no mundo.

Pedro e o discípulo que Jesus amava estão juntos nas narrativas da paixão. João identificou a mensagem do mestre, permaneceu junto dele durante a paixão, ao passo que Pedro ficou parado e o negou. João acompanhou Jesus até o calvário. Pedro, ao contrário, fugiu.

No Evangelho, Pedro aparece novamente vencido. João “começou a acreditar”, diante dos sinais da morte: o sepulcro, os panos, o sudário... Ele percebe a vitória da vida e Pedro, vendo as mesmas coisas, custa a ter fé na ressurreição.

A Igreja festeja com tanta alegria a ressurreição do Senhor, que toda a semana que se segue ao domingo da Páscoa é um prolongamento da festa. É por isto chamada semana da pascoela.

Uma vida dedicada aos irmãos, como Jesus fez, não se conclui com a morte, mas se abre para a plenitude da vida em Deus.

Uma semana é pouco, outras virão. Todo o ano litúrgico é uma constante celebração da vitória de Cristo. E toda a nossa vida seria muito pequena e sem sentido se não pudéssemos festejar, com céus e terra, a vitória de Jesus, a vitória da cruz, a vitória da vida.

Por isso, no próximo domingo, iremos celebrar o domingo “in abis”, que era o domingo em que se depunha a cor branca dos catecúmenos. Após o batismo, na noite de Sábado Santo para o Domingo da Páscoa, os catecúmenos que acabavam de entrar no grêmio da Santa Igreja, revestiam-se de branco, símbolo visível da pureza obrigatória de vida a partir de então: “Recebe esta vestidura branca e conserva-a sem mancha até ao Tribunal de Deus”.

Durante os oito dias da Oitava da Páscoa os catecúmenos assistiam às cerimônias, revestidos da “Alva batismal”; assim gravar-se-ia mais indelevelmente em seu espírito a obrigação santa duma existência sem pecado. A  partir da Pascoela, retomavam, durante os ofícios, a veste ordinária.

Assim, todos nós, devemos como os catecúmenos revestirmos da veste branca da santidade, para vivermos bem o tempo pascal, fiéis ao espírito do domingo “in albis”, agora chamado da DIVINA MISERICÓRDIA, a quem todos nós devemos recorrer nestes dias alegres, rezando: “Fazei, Senhor, que, terminadas as festas pascais, nós conservemos o espírito desta festa em nossos hábitos e em nossa vida”, Assim seja!

Feliz tempo pascal!



 
 
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